ACERCA DE PÂNTANOS

Ao longo de sua vida Jonas Galvão formou uma fazenda que era um brinco, de bem cuidada e produtiva. Uma parte era dedicada à criação de gado leiteiro. Em outra, havia o cultivo de café e manga. E uma terceira parte, de tamanho expressivo, era ocupada por um pântano. Ocupado em cuidar e desenvolver as áreas secas, José deixou o pântano entregue a sua própria sorte. Quando José faleceu, seu filho Mário assumiu o comando da Fazenda Galvão.

Logo Mário percebeu que o pântano atrapalhava a expansão dos negócios da fazenda. Além da área ocupada, havia uns jacarés que habitavam o pântano e vez por outra atacavam um bezerro ou amedrontavam os empregados da fazenda. Então ele resolveu acabar com pântano. Chamou seu tratorista Carlos e falou:

– Carlos, quero que você deixe um pouco suas atividades normais e faça a drenagem do pântano.

-‘Tá bem, seu Mário. Quanto tempo o senhor acha que isso vai levar?

– Bom, Carlos, se você terminar em uns três a quatro meses já será bom.

No dia seguinte Carlos entrou no pântano para ver como poderia executar sua missão. Quando ainda procurava achar uma forma de fazer a drenagem, um jacaré veio para cima dele. Por sorte ele estava com um grosso pedaço de tronco na mão, que usou como porrete. Acertou várias vezes o jacaré que afundou, morto ou nocauteado. E assim foi se passando o tempo. Cada vez que Carlos se movia um pouco mais aparecia um jacaré e ele “dá-lhe bordoada”. Passado um mês, Mário foi até o pântano:

– E aí, Carlos, nenhum progresso na drenagem?

 – É… seu Mário. Não estou conseguindo drenar o pântano. Mas estou cada vez com mais prática de bater nos jacarés…

Mário achou que era hora de contratar um especialista. Acho no Google um bom Drenador de Pântanos. Luis chegou com vários equipamentos e prometeu drenar o pântano em 60 dias. Mal entrou no pântano e descobriu o que Mário não lhe contara: e “dá-lhe bordoada” nos jacarés. Depois de um mês, Mário foi ver o progresso do trabalho. Imagine qual foi o “relatório”:

– É… seu Mário. Não estou conseguindo drenar o pântano. Mas estou cada vez com mais prático de bater nos jacarés…

Desacorçoado, Mário dispensou o trabalho de Luis e ficou sem saber o que fazer. Pouco tempo depois, conversando com um amigo, falou sobre essa sua dificuldade. O amigo sugeriu:

– Olha, Mário, tenho um conhecido que foi engenheiro uma hidroelétrica. Ele nunca entrou numa fazenda mas, quem sabe?,  ele possa te dar alguma sugestão.

– Está bem peça para ele me procurar.

O engenheiro Pedro foi muito solicito e marcou uma visita à Fazenda Galvão. Mário lhe contou seu problema e pediu a Pedro se poderia lhe dar uma indicação sobre como resolver o problema. Pedro aceitou o desafio, como um trabalho de consultoria. Não era um serviço barato, mas Mário teve a sensação de que Pedro iria ajudá-lo:

– Em quanto tempo, Pedro, você acha que achará uma solução para drenagem do pântano?

Pedro respondeu:

– Não sei… Tudo depende do que eu observar e do que conseguir estudar. Com base na minha experiência em implantação de hidroelétricas, eu diria que terei um diagnóstico em 30 a 60 dias.

Depois de 30 dias, Pedro pediu a Mário para ser acompanhado por um funcionário portando uma marreta. Mário foi junto. Andaram uns 15 minutos à beira do pântano. O pântano foi se estreitando até não ser mais que um pequeno filete de água. E logo esse filete passou por baixo de uma pedra e sumiu. Pedro mandou o funcionário destruir a pedra. Depois da pedra havia um pequeno declive por onde a água continuava seu caminho até um rio nas proximidades. Retirada a pedra que impedia seu caminho, o filete de água engrossou até se transformar num riacho, que recebia a água do pântano e ia até o rio.

Em dois dias o pântano estava vazio e logo poderia ser usado para plantio. Em vista do resultado,. Pedro emitiu a Nota Fiscal pelos seus serviços. No valor de R$ 100.000,00. Mário ficou espantado, pois ele só usara o serviço do seu funcionário e uma ferramenta da própria fazenda. Mandou um e-mail para o Pedro, pedindo explicação pare esse valor tão alto. Pedro respondeu em seguida:

Destruir a pedra…………………………………………..R$1.000,00

20 anos de estudos e experiência para saber

que havia uma pedra a ser destruída……………R$99.000,00

Começado há mais 30 anos e terminado em 21/03/2026

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