{"id":148,"date":"2021-04-19T02:03:28","date_gmt":"2021-04-19T05:03:28","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=148"},"modified":"2022-02-16T21:30:59","modified_gmt":"2022-02-17T00:30:59","slug":"duas-em-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=148","title":{"rendered":"<strong>DUAS EM UM<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer um t\u00edtulo estranho, mas quero dizer que vou contar duas hist\u00f3rias em um \u00fanico blog. E, ao final, voc\u00ea haver\u00e1 de convir que era dif\u00edcil contar a segunda sem contar a primeira. Como toda a inspira\u00e7\u00e3o ela veio inesperadamente quando conversava com minha prima Maria Cristina. Ent\u00e3o, como manda o bom senso, vamos come\u00e7ar pela primeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando eu estava l\u00e1 pelos meus dezessete anos fui passar o m\u00eas de janeiro na praia do Jos\u00e9 Menino, em Santos. A convite da fam\u00edlia de um grande amigo de juventude. J\u00e1 estava na praia quando presenciei uma cena inusitada. Um homem carregava uma senhora, que usava aqueles aparelhos para paralisia, com bota e arma\u00e7\u00e3o de ferro. Junto vinham uma garota e um rapaz que regulavam de idade comigo. Via-se que era uma fam\u00edlia. Estavam hospedados no mesmo pr\u00e9dio e acabamos naturalmente fazendo amizade. A senhora era dona Rosa Helena, o marido, seu Roque. Os filhos, Silvia Helena e Jo\u00e3o Carlos. Todo dia a cena se repetia. Seu Roque colocava dona Rosa Helena numa cadeira e, de vez em quando, a levava at\u00e9 a \u00e1gua. Aquela foi uma amizade maravilhosa, que subiu a serra e perdurou por muito tempo. Era uma fam\u00edlia admir\u00e1vel, \u00a0 que lidava com muita naturalidade com as limita\u00e7\u00f5es da m\u00e3e. Eles moravam na divisa com S\u00e3o Caetano, perto de onde \u00e9 hoje a favela de Heli\u00f3polis. Eu adorava ir l\u00e1 e, muitas vezes ficar conversando com dona Rosa Helena. Numa dessas conversas ela me contou que estava noiva do seu Roque, quando teve poliomielite. Ainda no hospital ela liberou seu Roque do compromisso, mas ele disse que a aceitava como ela era. Ele construiu a casa em que moravam, com toda acessibilidade necess\u00e1ria para ela, numa \u00e9poca em que nem se falava disso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naturalmente fui a muitas festas l\u00e1. Como ainda \u00e9ramos menores de idade a irm\u00e3 mais velha do meu amigo \u00e9 que nos levava e trazia numa perua Vemaguete. Voc\u00ea pode imaginar como eram maravilhosas essas festas. A dona Rosa Helena fazia um bolo como nunca vi igual. Era um bolo gelado, coberto com suspiro assado. Na primeira vez que vi esse bolo fiquei intrigado: \u201cDona Rosa, como a senhora consegue assar o suspiro sem derreter o bolo?\u201d. &nbsp;\u201cMuito simples \u2013 ela respondeu \u2013 eu fa\u00e7o o bolo, cubro com o suspiro e levo rapidamente ao forno bem quente. O suspiro doura e protege o bolo do calor. A\u00ed, volta para geladeira\u201d. E agora vem a hist\u00f3ria, de fato. Est\u00e1vamos voltando de uma dessas festas quando a irm\u00e3 do meu amigo comentou: \u201cComo estava bom o strogonoff!\u201d Eu fiquei curioso. \u201cMas n\u00e3o vi o strogonoff!\u201d E ela falou: \u201cEstava muito bom mesmo. Com arroz branco e batata palha\u201d. Ca\u00ed das nuvens. Eu tinha visto esse prato, mas achei uma carne estranha e n\u00e3o peguei&#8230; Naquela \u00e9poca esse prato era novidade e xod\u00f3 de todos os jantares. Eu tinha loucura para experimentar e tinha perdido a oportunidade. Nesse aprendi uma li\u00e7\u00e3o: nunca dizer se gosto ou n\u00e3o de alguma coisa sem experimentar. Ali\u00e1s, foi assim que aprendi a gostar de sashimi&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrito em 18\/04\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode parecer um t\u00edtulo estranho, mas quero dizer que vou contar duas hist\u00f3rias em um \u00fanico blog. E, ao final, voc\u00ea haver\u00e1 de convir que era dif\u00edcil contar a segunda sem contar a primeira. Como toda a inspira\u00e7\u00e3o ela veio inesperadamente quando conversava com minha prima Maria Cristina. 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