{"id":267,"date":"2021-06-29T18:45:07","date_gmt":"2021-06-29T21:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=267"},"modified":"2022-02-16T21:29:41","modified_gmt":"2022-02-17T00:29:41","slug":"um-engenheiro-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=267","title":{"rendered":"<strong>UM ENGENHEIRO GRANDE<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o leu errado. \u00c9 um Engenheiro Grande mesmo. Por isso est\u00e1 nesta hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entrei na FEI em 1966 e sa\u00ed em 1970. Nesse per\u00edodo aconteceu muita coisa e aos poucos vou lembrando e contando aqui o que eu achar de mais interessante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos estudantes eram de fora de S\u00e3o Paulo. Tinha gente de Santo Anast\u00e1cio, Presidente Epit\u00e1cio, Presidente Prudente, Marilia, Vit\u00f3ria (ES) e outras, incluindo Ribeir\u00e3o Preto. Foram se acomodando em pens\u00f5es e rep\u00fablicas em S\u00e3o Paulo e S\u00e3o Bernardo do Campo. Esta hist\u00f3ria \u00e9 sobre um colega de Ribeir\u00e3o Preto que, acreditou &#8211; como eu &#8211; que \u00edamos frequentar o campus tradicional da FEI, no bairro da Liberdade. Ele foi para uma pens\u00e3o bem pr\u00f3xima desse campus. Quando fomos para S\u00e3o Bernardo, ele optou por ficar nessa pens\u00e3o. Bem perto de onde eu morava. Por isso, tivemos uma certa conviv\u00eancia. Muitas vezes fui estudar com ele no seu quarto de pens\u00e3o. N\u00e3o era muito agrad\u00e1vel o odor desse quarto. Ele n\u00e3o tinha costume de tomar banho diariamente. N\u00e3o tinha ordem com suas coisas. E n\u00e3o usava meias nem sapato; usava uma galocha que gerava um tremendo chul\u00e9. Mas n\u00e3o eram esses os tra\u00e7os mais marcantes desse colega. Primeiro, ele tinha um bom humor contagiante, que usava para se safar das situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis; ele era um ex\u00edmio colocador de apelidos. Segundo, era enorme. Cerca de 1,90m de altura e pesava uns 150 kg. Da\u00ed o t\u00edtulo de desta cr\u00f4nica. Tamb\u00e9m usava esse porte sempre que necess\u00e1rio. Vou cham\u00e1-lo de Aparecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posto esse pre\u00e2mbulo, vamos aos fatos. Eu j\u00e1 era um calouro, ou \u201cbicho\u201d, como nos chamavam os veteranos. Como parte da recep\u00e7\u00e3o t\u00ednhamos que usar, no ambiente universit\u00e1rio, um \u201cbabador\u201d. Tinha o formato de uma ferradura, com o desenho de uma ferradura como moldura. Servia para nos identificar. Na \u00e9poca a FEI fazia parte da PUC. Ent\u00e3o, dentro dessa ferradura estava escrito: \u201dEu \u2013 NOME \u2013 sou filho da PUC\u201d. E, quando n\u00e3o respond\u00edamos corretamente \u00e0s perguntas mais absurdas ou faz\u00edamos algum ato de \u201crebeldia\u201d, os veteranos faziam um \u201cx\u201d no babador, para um \u201cbanho de rosas\u201d no dia do trote oficial. Depois soubemos que era apenas nos assustar pois esse banho de rosas nunca existiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das divers\u00f5es favoritas dos veteranos era aproveitar os intervalos das aulas para entrar nas classes, munidos de pincel at\u00f4mico, e pintar os bichos, no rosto ou nos bra\u00e7os. Isso acontecia todo dia e o dia todo. Pois uma vez uma vez, quando os veteranos entraram na minha sala, prontos para mais uma sess\u00e3o de pintura, tiveram uma surpresa. Mal eles entraram ouviu-se uma voz l\u00e1 do fundo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Hoje n\u00e3o v\u00e3o pintar ningu\u00e9m, n\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um veterano falou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Quem \u00e9 o engra\u00e7adinho? Pode vir aqui na frente, que vai ser o primeiro a ser pintado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Se eu for a\u00ed voc\u00eas \u00e9 que ser\u00e3o pintados!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Ent\u00e3o venha, bicho atrevido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu colega grandalh\u00e3o, o Aparecido, levantou-se e veio andando. Os veteranos ficaram realmente pasmos e assustados, sem saber o que fazer. Quando chegou \u00e0 frente da sala, o Aparecido tomou o pincel da m\u00e3o de um veterano e, efetivamente, o pintou. Enquanto os veteranos fugiam apavorados, o Aparecido gritou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Quem chegar perto desta turma vai ser pintado!!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse dia em diante, quando entravam na sala da minha turma os veteranos primeiro se cerificavam se o Aparecido estava l\u00e1. Quando estava, eles iam embora e n\u00f3s fic\u00e1vamos livres da pintura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Escrito em 29\/06\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o leu errado. \u00c9 um Engenheiro Grande mesmo. Por isso est\u00e1 nesta hist\u00f3ria. Entrei na FEI em 1966 e sa\u00ed em 1970. Nesse per\u00edodo aconteceu muita coisa e aos poucos vou lembrando e contando aqui o que eu achar de mais interessante. Muitos estudantes eram de fora de S\u00e3o Paulo. 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