{"id":316,"date":"2021-08-19T17:48:55","date_gmt":"2021-08-19T20:48:55","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=316"},"modified":"2022-02-16T21:26:45","modified_gmt":"2022-02-17T00:26:45","slug":"pingo-dagua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=316","title":{"rendered":"<strong>PINGO D\u2019\u00c1GUA<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UMA REFLEX\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o 8 da noite na Av. Paulista. Uma chuva forte, de ver\u00e3o, me surpreende quando come\u00e7o a voltar para casa. Dou-me o direito de, simplesmente, aceitar essa chuva, sentar-me na mureta do pr\u00e9dio em que estava e esperar que a chuva passe. Sinto-me estranhamente envolvido com o que se passa em torno de mim enquanto espero. A chuva continua caindo forte. Os carros continuam seu caminho pela rua molhada. As pessoas continuam passando pela cal\u00e7ada, tentando a imposs\u00edvel tarefa de n\u00e3o se molharem. Algumas param alguns segundos, indecisas, mas decidem continuar seu caminho. Eu me sinto bem comigo mesmo por ter escolhido esperar e ficar observando a cena. Come\u00e7o a prestar aten\u00e7\u00e3o na chuva. S\u00e3o pingos d\u2019\u00e1gua que batem com for\u00e7a no ch\u00e3o, formando pequenos e art\u00edsticos chafarizes. Cada pingo forma seu chafariz, mas todos os pingos e seus chafarizes \u00e9 que fazem com que a chuva seja chuva e molhe o ch\u00e3o, os carros, os pr\u00e9dios e as pessoas. Um pingo sozinho passaria despercebido, n\u00e3o formaria seu micro chafariz e teria um efeito quase nulo e apenas instant\u00e2neo; n\u00e3o faria a chuva que molha. Fico pensando que os carros tamb\u00e9m t\u00eam a sina do pingo d\u2019\u00e1gua. Um carro sozinho n\u00e3o \u00e9 tr\u00e2nsito; n\u00e3o precisa de ruas largas, nem regras de tr\u00e2nsito. A exist\u00eancia de um \u00fanico carro tem quase nenhum efeito sobre a cidade. Mas \u00e9 necess\u00e1rio todos os carros da cidade para fazer o tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, justificar toda a infraestrutura vi\u00e1ria e tanta atividade econ\u00f4mica relacionada. As pessoas que seguem seu caminho, no meio dos carros e sob a chuva, t\u00eam muito de pingo d\u2019\u00e1gua. \u00c9 preciso que duas pessoas se juntem para fazer uma dupla ou um par, s\u00e3o precisas muitas pessoas para fazer um grupo, s\u00e3o precisas centenas para fazer uma multid\u00e3o e milhares para fazer uma popula\u00e7\u00e3o. A cidade precisa de todas as pessoas que nela vivem para que possa ser uma cidade; com seus problemas e suas conveni\u00eancias. As pessoas s\u00e3o como pingos d\u2019\u00e1gua: duplas ou pares, grupos ou multid\u00f5es, toda a popula\u00e7\u00e3o, s\u00f3 existem por que as pessoas existem. Mas as pessoas t\u00eam uma grande diferen\u00e7a dos pingos d\u2019\u00e1gua. Elas existem e s\u00e3o importantes na sua individualidade. Elas podem escolher se existem sozinhas ou junto com outras. Mesmo sozinhas elas podem fazer com que seus chafarizes tenham algum impacto sobre outras pessoas. Ao contr\u00e1rio dos pingos de chuva, as pessoas s\u00e3o importantes pelo que s\u00e3o e n\u00e3o por estarem inclu\u00eddas num conjunto ou num contexto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Escrito em 16\/03\/2008<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Publicado em 19\/08\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA REFLEX\u00c3O S\u00e3o 8 da noite na Av. Paulista. Uma chuva forte, de ver\u00e3o, me surpreende quando come\u00e7o a voltar para casa. Dou-me o direito de, simplesmente, aceitar essa chuva, sentar-me na mureta do pr\u00e9dio em que estava e esperar que a chuva passe. 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