{"id":430,"date":"2022-06-27T17:43:28","date_gmt":"2022-06-27T20:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=430"},"modified":"2024-11-27T16:16:56","modified_gmt":"2024-11-27T19:16:56","slug":"amizade-nos-tempos-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=430","title":{"rendered":"<strong>AMIZADE NOS TEMPOS DA PANDEMIA<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estava procurando um t\u00edtulo para este texto e me lembrei, outra vez&#8230;, do escritor colombiano Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, tamb\u00e9m conhecido por Gabo. Ele ganhou o Pr\u00eamio Nobel de literatura com o livro O Amor Nos Tempos Do C\u00f3lera. Embora este texto n\u00e3o tenha nada a ver com a hist\u00f3ria que ele conta, achei uma boa inspira\u00e7\u00e3o. Antes da pandemia eu era cr\u00edtico das pessoas que passavam muito tempo navegando pela Internet. Lembro de assistir uma palestra do Padre Vaguinho, em Sorocaba, que fez uma afirma\u00e7\u00e3o com a qual concordei plenamente. Disse ele: \u201cA Internet aproxima as pessoas distantes e afasta as pessoas pr\u00f3ximas\u201d. Gra\u00e7as a Deus tenho facilidade para fazer autocr\u00edtica e rever meus conceitos. Hoje penso um pouco diferente. Primeiro, o que \u00e9 pr\u00f3ximo e o que \u00e9 distante? N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de medidas. Qual espa\u00e7o que me separa das pessoas distantes e das pessoas pr\u00f3ximas? N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de metragem ou quilometragem. Uma pessoa pr\u00f3xima posse estar do ouro lado do mundo. E uma pessoa distante pode estar aqui na esquina. A medida da proximidade e da dist\u00e2ncia \u00e9 o lugar que as pessoas ocupam em nossas mentes e nossos cora\u00e7\u00f5es. Numa \u00e9poca em que o isolamento social se tornou uma imposi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, passei a entender essa quest\u00e3o da amizade segundo os conceitos relativos de dist\u00e2ncia e proximidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu isolamento social n\u00e3o me impede de ter grandes amizades, alimentadas por contatos quase di\u00e1rios, com apenas um clic de dist\u00e2ncia. O que mais comecei a sentir falta foi a conviv\u00eancia com a fam\u00edlia: irm\u00e3s, primos, tios, sobrinhos. Sempre curti muito os contatos familiares, numa fam\u00edlia t\u00e3o grande. Minhas irm\u00e3s Maria Sylvia e Maria Z\u00e9lia, raramente passam um dia sem que tenhamos contato. A Z\u00e9lia at\u00e9 j\u00e1 me levou para visitar minha tia Mary, em Capivari, minha prima Heloisa (You) em Pindamonhangaba, minha tia Lygia e seu filho, meu primo Ronaldinho. A Sylvia e eu gostamos muito de v\u00f4lei e t\u00eanis; quando assistimos, geralmente ao mesmo tempo, ficamos trocando mensagens pelo WhatsApp. Perto est\u00e3o meus primos, primas, tios, sobrinhos que se espalham por S\u00e3o Paulo, Santos, Campinas, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul, Texas, It\u00e1lia (espero n\u00e3o ter esquecido ningu\u00e9m). Perto est\u00e3o amigos de longa data, como a Daisy, minha amiga de mais de trinta anos, moradora em Sorocaba, para onde quase nos mudamos, Viviane e eu, por incentivo dela. Amigos com quem tenho bastante contato, aguardando s\u00f3 a possibilidade de novos encontros ao vivo. Amigos e amigas que est\u00e3o em Sorocaba, Santos, Bras\u00edlia, Piracicaba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 um tipo diferente de amizade. Pessoas com quem estive apenas uma vez e que parece sempre termos estado juntos. Uma \u00e9 a Leila, vi\u00fava do meu querid\u00edssimo primo Jo\u00e3o Carlos, que mora em Monte Dourado, interior do Par\u00e1. S\u00f3 estive com ela uma vez, h\u00e1 muitos anos, quando eles vieram ficar hospedados no apartamento da Vera Lucia, em Santos. Desci a serra e passei o dia com eles. Tive uma \u201cqu\u00edmica\u201d com a Leila, que perdura at\u00e9 hoje. Unidos pela Internet. Outra pessoa \u00e9 o Rivaldo, primo da Viviane, que mora na Ponta da Praia, em Santos. Ele e a Viviane se queriam muito. Ele veio uma vez visit\u00e1-la, quando ela j\u00e1 estava doente. Foi a \u00fanica vez que nos encontramos. Outra liga\u00e7\u00e3o com ele \u00e9 que seu filho, Riva, \u00e9 muito amigo do meu filho Edgar. Com o Rivaldo tenho contato di\u00e1rio, trocando m\u00fasicas e mensagens interessantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E recentemente me apareceu um novo tipo de amizade. Com quem s\u00f3 conhe\u00e7o pela Internet. Uma \u00e9 a Pocha, cujo nome mesmo \u00e9 Lia Guerra. \u00c9 uma argentina que mora em Porto Alegre e \u00e9 casada com um equatoriano, tio do primeiro marido da Viviane. Elas eram muito ligadas. Quando a Viviane faleceu, entrei em contato com ela para avisar e a\u00ed nasceu uma amizade muito gostosa, tamb\u00e9m alimentada por contatos quase di\u00e1rios. E, a partir da Pocha, comecei uma nova amizade 100% Internet. Ela me sugeriu uma amiga que mora em Florian\u00f3polis, a Val\u00e9ria. Estamos come\u00e7ando mais uma amizade, que acho ser\u00e1 tamb\u00e9m muito interessante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, o que \u00e9 perto e o que \u00e9 longe? S\u00f3 seu cora\u00e7\u00e3o tem a resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Escrito em 27\/06\/2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava procurando um t\u00edtulo para este texto e me lembrei, outra vez&#8230;, do escritor colombiano Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, tamb\u00e9m conhecido por Gabo. Ele ganhou o Pr\u00eamio Nobel de literatura com o livro O Amor Nos Tempos Do C\u00f3lera. 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