{"id":741,"date":"2026-04-24T13:07:24","date_gmt":"2026-04-24T16:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=741"},"modified":"2026-04-24T13:07:24","modified_gmt":"2026-04-24T16:07:24","slug":"madalena-veste-dasru-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=741","title":{"rendered":"MADALENA VESTE DASRU"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o oito horas da manh\u00e3 de sexta-feira. Parado na Ver. Jos\u00e9 Diniz, esquina com Joaquim Nabuco, no cora\u00e7\u00e3o comercial do Brooklin. Aguardo o sinal verde para continuar meu caminho para o trabalho. Como gosto de fazer, observo os pedestres que passam na sua faixa. Sempre h\u00e1 coisas interessantes. Nem sempre como desta vez. Minha aten\u00e7\u00e3o \u00e9 despertada por uma figura que parece deslocada, no tempo e no espa\u00e7o. Tentarei descrev\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem d\u00favida, \u00e9 uma moradora de rua. Afinal, est\u00e1 descal\u00e7a e aparentemente h\u00e1 muito tempo. Parece uma mulher, mulata, mais por dedu\u00e7\u00e3o do que por algum indicador \u00f3bvio.&nbsp; E a raz\u00e3o da minha d\u00favida \u00e9 que ela est\u00e1 usando um vestido negro. Mas n\u00e3o um vestido negro qualquer. Parece ser composto por tr\u00eas pe\u00e7as diferentes que algum estilista juntou num traje \u00fanico. Uma saia quase plissada, rodada, larga, que vai at\u00e9 os joelhos. Uma blusa simples, sem qualquer recorte ou detalhe, com decote moderado em forma de \u201cU\u201d e mangas que v\u00e3o justas nos bra\u00e7os at\u00e9 a altura do cotovelo. E um capuz muito grande e largo, estilo capuchinho, que ela usa sobre a cabe\u00e7a, escondendo-a completamente. Essa indument\u00e1ria inusitada, aliada a uma esbeltez diferente da magreza faminta \u00e9 que me fazem chegar \u00e0 dedu\u00e7\u00e3o inicial. Para tornar a apari\u00e7\u00e3o ainda mais surpreendente, ela parece flutuar seus cerca de 1,70m sobre o asfalto, com seus passos mi\u00fados e elegantes que transformam a faixa de pedestres numa passarela. E, para arrematar, ela tem um surpreendente pudor. Sob esse vestido, que parece j\u00e1 ter se exibido em cen\u00e1rios sofisticados, ela usa uma surrada bermuda jeans. Conforme ela desfila, isto \u00e9&#8230;, passa, a saia esvoa\u00e7a e deixa ver essa bermuda. E ela, nervosamente, puxa a saia para baixo para esconder a bermuda (ou as delgadas pernas?).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela some do outro lado da avenida e, enquanto continuo meu caminho, dou espa\u00e7o \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. Quem ser\u00e1 Madalena? &nbsp;\u00c9, acabei de batiz\u00e1-la assim, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es que cada leitor pode imaginar. Ela foi uma dessas tantas mo\u00e7as que sonham com o sucesso da Gisele Bundchen. Ralou bastante e descolou uma grana para fazer seu book. Foi para a porta da ag\u00eancia cavar seu espa\u00e7o. E encontrou o come\u00e7o do seu destino t\u00e3o dif\u00edcil. Um descobridor de belezas a viu e achou que tinha potencial, no que n\u00e3o errou. Convidou-a para um teste. Pena que era o famoso teste do sof\u00e1. O teste foi muito bem, mas s\u00f3 ele se beneficiou. E o teste se repetiu muitas vezes. Ela passou a ser conhecida como \u201ca menina do ca\u00e7a talentos\u201d. Com essa imagem ela jamais conseguiu um trabalho como manequim. O mais longe que chegou foi ser ajudante em um atelier de alta costura. Um dia, ela acordou para a realidade. Olhou para tantas como ela, que acabaram indo para a prostitui\u00e7\u00e3o e as drogas. Ela n\u00e3o quis isso. Tinha a dignidade que recebeu um dia como \u00fanica heran\u00e7a dos pais. Ganhou, como agradecimento da modelo a quem ajudava, um vestido negro j\u00e1 sem serventia. Esse mesmo que chamou minha aten\u00e7\u00e3o. Com ele e uma inesgot\u00e1vel esperan\u00e7a, foi para a rua onde continua na expectativa que um ca\u00e7a talentos bem intencionado a redescubra. Mesmo que esteja desfilando um vestido velho \u201cDas Ruas\u201d, na passarela de asfalto. E imaginando um narrador dizendo: \u201cA\u00ed vem Madalena, que veste DasRu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrito por volta de 22\/07\/2021<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>NOTA<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Quando escrevi este texto, fazia sucesso em S\u00e3o Paulo o espa\u00e7o ultra luxuoso DasLu, derivado da Boutique batizada pelo nome <strong>DAS<\/strong> s\u00f3cias <strong>LU<\/strong>cia e <strong>LU<\/strong>rdes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o oito horas da manh\u00e3 de sexta-feira. Parado na Ver. Jos\u00e9 Diniz, esquina com Joaquim Nabuco, no cora\u00e7\u00e3o comercial do Brooklin. Aguardo o sinal verde para continuar meu caminho para o trabalho. Como gosto de fazer, observo os pedestres que passam na sua faixa. Sempre h\u00e1 coisas interessantes. Nem sempre como desta vez. Minha aten\u00e7\u00e3o &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=741\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;MADALENA VESTE DASRU&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4SGe6-bX","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":742,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/741\/revisions\/742"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}