{"id":79,"date":"2021-01-26T14:24:18","date_gmt":"2021-01-26T17:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=79"},"modified":"2022-02-16T21:33:40","modified_gmt":"2022-02-17T00:33:40","slug":"doces-das-vovos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=79","title":{"rendered":"DOCES DAS VOV\u00d3S"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(mais uma vez sem inspira\u00e7\u00e3o, publico texto de 2014)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre que vou andar no Parque da \u00c1gua Branca, em S\u00e3o Paulo, passo v\u00e1rias vezes por esta banquinha. Meu primeiro pensamento \u00e9 experimentar uma dessas del\u00edcias. Quase sempre resisto. Mas, como era domingo, deixei minha imagina\u00e7\u00e3o ir muito al\u00e9m desse desejo imediato. Comecei a imaginar que doces como o quebra-queixo v\u00e3o, pouco a pouco, abandonando nosso dia-a-dia e se tornando parte da hist\u00f3ria. Virando doces lembran\u00e7as de vidas (primeira foto) menos complicadas. Doces lembran\u00e7as&#8230; Talvez o quebra-queixo seja um dos \u00faltimos doces antigos que a gera\u00e7\u00e3o dos meus filhos ainda conhe\u00e7a. Para quem j\u00e1 n\u00e3o sabe mais do que se trata, aqui vai uma foto (segunda foto)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"207\" height=\"157\" src=\"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"245\" height=\"184\" src=\"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-82\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">dessa cocada super apurada e consistente, que pode quebrar o queixo de quem a mastigar com muita gan\u00e2ncia. Para os mais velhos o perigo \u00e9 mais para as pontes, piv\u00f4s, coroas e dentaduras&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o doces de outra \u00e9poca. Lembro do machadinho, um bloco de uma massa em ponto de bala num tabuleiro, que exigia uma machadinha ou talhadeira para arrancar lascas que eram chupadas lentamente. Eram doces de uma \u00e9poca em que doceria era tida como uma palavra errada e doceira era uma mulher que fazia doces quase artesanais. Quase todas as nossas m\u00e3es eram doceiras e faziam del\u00edcias como ambrosia, baba de mo\u00e7a, espera marido, bab\u00e1 ao rum, curau e tantas outras que j\u00e1 nem me lembro. Para os anivers\u00e1rios era produzidos bombocados, queijadinhas, quindim, cajuzinhos de amendoim, beijinhos (com a indefect\u00edvel folhinha de buxo como enfeite), canudinhos de doce de leite e de cocada, olho de sogra e tijolinhos de doce de leite.E mais, os doces de batata e ab\u00f3bora que eram pingados ficavam secando por dias em grande tabuleiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O auge desses doces, para mim, era o pizen, feito pela minha V\u00f3 Cec\u00edlia. Era um suspiro gigante recheado com doce de ovos. Este \u00e9 o \u00edcone dos doces que s\u00f3 continuam existindo em nossas lembran\u00e7as. Os doces de nossas av\u00f3s \u2013 alguns \u2013 ainda s\u00e3o feitos por algumas av\u00f3s de hoje. Mas parecem condenados a sumir dos nossos olhos. S\u00edmbolos de um doce tempo que, assim como as doces vov\u00f3s, n\u00e3o voltar\u00e3o mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrito em 22\/05\/2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(mais uma vez sem inspira\u00e7\u00e3o, publico texto de 2014) Sempre que vou andar no Parque da \u00c1gua Branca, em S\u00e3o Paulo, passo v\u00e1rias vezes por esta banquinha. Meu primeiro pensamento \u00e9 experimentar uma dessas del\u00edcias. Quase sempre resisto. Mas, como era domingo, deixei minha imagina\u00e7\u00e3o ir muito al\u00e9m desse desejo imediato. 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