{"id":84,"date":"2021-01-27T19:43:22","date_gmt":"2021-01-27T22:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=84"},"modified":"2022-02-16T21:33:29","modified_gmt":"2022-02-17T00:33:29","slug":"skoda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paponavaranda.blog.br\/?p=84","title":{"rendered":"<strong>SKODA<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa era a marca do primeiro carro que me lembro do meu av\u00f4 Bindo. \u00c9 marca da antiga Rep\u00fablica da Checoslov\u00e1quia, hoje dividida entre Rep\u00fablica Checa e Eslov\u00e1quia; essa f\u00e1brica ainda existe e faz parte do complexo VW. A bordo desse carro (mais ou menos do tamanho de um Etios) vivi muitas pequenas aventuras. Vou contar algumas. Na \u00e9poca desses fatos eu teria, talvez, entre 12 e 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mais novos n\u00e3o saber\u00e3o do que estou falando, mas perguntem a seus pais e eles explicam. Quando meu av\u00f4 comprou o carro, mandou fazer uma ret\u00edfica no motor. E os motores novos ou retificados tinham que ser <em>amaciados<\/em>. Essa etapa consistia em andar por alguma estrada onde pudesse ser mantida uma velocidade mais ou menos constante em torno dos 60 km\/h. E parar com alguma frequ\u00eancia. E, para evitar buzinas dos impacientes, pregava-se um aviso no vidro traseiro \u201cMOTOR AMACIANDO\u201d. Meu av\u00f4 me convidou para ir com ele amaciar o motor do Skoda. Escolheu a regi\u00e3o canavieira em torno de Capivari, onde seria mais f\u00e1cil cumprir esse processo. Passamos o dia de alambique em alambique; de vez em quando meu av\u00f4 fazia uma parada para o motor esfriar e punha um garraf\u00e3o de pinga no porta-malas. E, \u00e0s vezes, parava num boteco \u00e0 beira da estrada para comermos. Depois desse dia, tenho certeza, nasceu meu gosto por pinga de alambique (mas n\u00e3o tomei!) e comida de boteco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dia meu av\u00f4 me convidou para ir com ele para Pariquera-a\u00e7u. Ele havia comprado um sitio por l\u00e1. Esta cidade parecia aquelas cidades de filme de faroeste. Ficava, literalmente, \u00e0s margens da estrada que liga Registro a Iguape e Canan\u00e9ia. A estrada era a \u00fanica rua da cidade. Ficamos no \u00fanico \u201chotel\u201d da cidade, pouco mais que uma pequena hospedaria. Durante os tr\u00eas dias que ficamos l\u00e1 comemos arroz com marisco no almo\u00e7o e no jantar e ele jurou que n\u00e3o voltaria mais se n\u00e3o achasse outro lugar para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui um par\u00eantesis. Ir de S\u00e3o a Pariquera-a\u00e7u era por si s\u00f3 uma aventura. Ainda n\u00e3o existia Rodovia Padre Manoel da N\u00f3brega. Ent\u00e3o o caminho era pela praia, na areia. Isso exigia habilidade do motorista. Tinha que conduzir o carro pela parte \u00famida da areia, para n\u00e3o encalhar. De tempos em tempos havia a foz de algum riacho, pela qual t\u00ednhamos que passar bem na beira da \u00e1gua para n\u00e3o atolar. Ao chegar a Itanha\u00e9m a foz era muito profunda e era necess\u00e1rio entrar na cidade e atravessar pela ponte ferrovi\u00e1ria, onde um funcion\u00e1rio sinalizava se podia passar ou se tinha que aguardar o trem passar. Em Peru\u00edbe com\u00edamos tainha recheada no restaurante A Ponte, que tinha seu pr\u00f3prio barco de pesca e servia peixes fresqu\u00edssimos. D\u00e9cadas depois, quando comprei casa l\u00e1, o restaurante ainda existia e continuava muito bom. De Peru\u00edbe segu\u00edamos pela rodovia Pedro Taques, de terra, em dire\u00e7\u00e3o ao que seria, bem mais tarde, a BR-116. Para atravessar o rio Ribeira tinha que embarcar numa \u201cbalsa\u201d: v\u00e1rios tambores vazios amarrados a pranchas de madeira. O conjunto era preso a um cabo de a\u00e7o que era ligado a outro cabo de a\u00e7o que atravessava o rio. Uma pequena lancha empurrava tudo isso de um lado para o outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem h\u00e1 muitas outras aventuras em Pariquera, mas vou deixar para amanh\u00e3, se n\u00e3o fica muito logo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrito em 27\/01\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa era a marca do primeiro carro que me lembro do meu av\u00f4 Bindo. \u00c9 marca da antiga Rep\u00fablica da Checoslov\u00e1quia, hoje dividida entre Rep\u00fablica Checa e Eslov\u00e1quia; essa f\u00e1brica ainda existe e faz parte do complexo VW. A bordo desse carro (mais ou menos do tamanho de um Etios) vivi muitas pequenas aventuras. 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