Durante a pandemia passei a frequentar os espaços virtuais da internet para me distrair um pouco e enfrentar com mais tranquilidade o isolamento social. Troco com meus contatos informações, textos e vídeos diversos, que tragam sempre uma mensagem positiva. Evito temas políticos, por razões óbvias. Pois há alguns meses recebi um vídeo falando dos benefícios que a música pode nos trazer para nossa saúde física e mental. Vibrei, porque, sem saber disso, a música foi sempre minha companheira diária. Até já escrevi sobre isso em outro post. Então comecei a mandar para um grupo de pessoas, todas as noites, uma música que me tocou durante ou dia e me fez lembrar alguma passagem agradável da minha vida. Atualmente várias pessoas da minha lista também me enviam músicas, muitas das quais compartilho.
Pois outro dia, quando a morte da Marília Mendonça me alertou para o quanto minha geração desconhece a música atual, comecei a pesquisar músicas e artistas novos. Foi quando me deparei com a Iza e me lembrei como a havia conhecido. Há pouco mais de 2 anos, procurando programas numa tarde modorrenta, achei um canal onde um músico norte-americano (não guardei o nome…) se apresentava tocando jazz, que é um dos meus gênero prediletos, acompanhado de uma linda cantora negra que me chamou a atenção. No fim da primeira música ela coversou com ele sobre a carreira dele. Depois se virou para a câmera e traduziu a resposta em perfeito português!! Fiquei muito surpreso com aquela americana falando português tão fluentemente. Só que era ao contrário. Meses depois descobri que ela se chamava Iza e era brasileira. E assim começa a lição que a Iza me deu, sem saber.
Sempre me gabei de não ter preconceito de qualquer tipo. Sem perceber, eu estava bem errado. Outro dia estava procurando alguma música dela para mandar à noite e me dei conta de como o preconceito estrutural entra nossa mente. Se não fosse por preconceito eu não me surpreenderia em ver uma negra (prefiro este termo, pois acho que chamar de afrodescendente já é uma tentativa de disfarçar o preconceito. Ela é uma negra afrodescendente.) cantando em perfeito inglês e falando em perfeito português. Isso é racismo estrutural! Nem percebemos… Comecei a pensar como nos surpreendemos ao ver um médico negro, ou um juiz negro, ou um industrial negro. Não nos surpreendemos ao ver um rapaz branco dirigindo um carrão, mas notamos quando um jovem negro está dirigindo o mesmo tipo de carro. E todos podemos fazer uma análise de como anda nosso racismo estrutural. Estou lendo o livro Escravidão vol. II, de Laurentino Gomes. É chocante e explica um pouco de onde vem nosso racismo estrutural.
Desculpe, Iza e tantos outros, pelo meu racismo disfarçado, que vou procurar não repetir…
Escrito nesse dia especial, 16/11/2021,
em que meu filho MAURO estaria completando 46 anos…
