Estava procurando um título para este texto e me lembrei, outra vez…, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, também conhecido por Gabo. Ele ganhou o Prêmio Nobel de literatura com o livro O Amor Nos Tempos Do Cólera. Embora este texto não tenha nada a ver com a história que ele conta, achei uma boa inspiração. Antes da pandemia eu era crítico das pessoas que passavam muito tempo navegando pela Internet. Lembro de assistir uma palestra do Padre Vaguinho, em Sorocaba, que fez uma afirmação com a qual concordei plenamente. Disse ele: “A Internet aproxima as pessoas distantes e afasta as pessoas próximas”. Graças a Deus tenho facilidade para fazer autocrítica e rever meus conceitos. Hoje penso um pouco diferente. Primeiro, o que é próximo e o que é distante? Não é questão de medidas. Qual espaço que me separa das pessoas distantes e das pessoas próximas? Não é uma questão de metragem ou quilometragem. Uma pessoa próxima posse estar do ouro lado do mundo. E uma pessoa distante pode estar aqui na esquina. A medida da proximidade e da distância é o lugar que as pessoas ocupam em nossas mentes e nossos corações. Numa época em que o isolamento social se tornou uma imposição de saúde, passei a entender essa questão da amizade segundo os conceitos relativos de distância e proximidade.
Meu isolamento social não me impede de ter grandes amizades, alimentadas por contatos quase diários, com apenas um clic de distância. O que mais comecei a sentir falta foi a convivência com a família: irmãs, primos, tios, sobrinhos. Sempre curti muito os contatos familiares, numa família tão grande. Minhas irmãs Maria Sylvia e Maria Zélia, raramente passam um dia sem que tenhamos contato. A Zélia até já me levou para visitar minha tia Mary, em Capivari, minha prima Heloisa (You) em Pindamonhangaba, minha tia Lygia e seu filho, meu primo Ronaldinho. A Sylvia e eu gostamos muito de vôlei e tênis; quando assistimos, geralmente ao mesmo tempo, ficamos trocando mensagens pelo WhatsApp. Perto estão meus primos, primas, tios, sobrinhos que se espalham por São Paulo, Santos, Campinas, Paraná, Rio Grande do Sul, Texas, Itália (espero não ter esquecido ninguém). Perto estão amigos de longa data, como a Daisy, minha amiga de mais de trinta anos, moradora em Sorocaba, para onde quase nos mudamos, Viviane e eu, por incentivo dela. Amigos com quem tenho bastante contato, aguardando só a possibilidade de novos encontros ao vivo. Amigos e amigas que estão em Sorocaba, Santos, Brasília, Piracicaba.
E há um tipo diferente de amizade. Pessoas com quem estive apenas uma vez e que parece sempre termos estado juntos. Uma é a Leila, viúva do meu queridíssimo primo João Carlos, que mora em Monte Dourado, interior do Pará. Só estive com ela uma vez, há muitos anos, quando eles vieram ficar hospedados no apartamento da Vera Lucia, em Santos. Desci a serra e passei o dia com eles. Tive uma “química” com a Leila, que perdura até hoje. Unidos pela Internet. Outra pessoa é o Rivaldo, primo da Viviane, que mora na Ponta da Praia, em Santos. Ele e a Viviane se queriam muito. Ele veio uma vez visitá-la, quando ela já estava doente. Foi a única vez que nos encontramos. Outra ligação com ele é que seu filho, Riva, é muito amigo do meu filho Edgar. Com o Rivaldo tenho contato diário, trocando músicas e mensagens interessantes.
E recentemente me apareceu um novo tipo de amizade. Com quem só conheço pela Internet. Uma é a Pocha, cujo nome mesmo é Lia Guerra. É uma argentina que mora em Porto Alegre e é casada com um equatoriano, tio do primeiro marido da Viviane. Elas eram muito ligadas. Quando a Viviane faleceu, entrei em contato com ela para avisar e aí nasceu uma amizade muito gostosa, também alimentada por contatos quase diários. E, a partir da Pocha, comecei uma nova amizade 100% Internet. Ela me sugeriu uma amiga que mora em Florianópolis, a Valéria. Estamos começando mais uma amizade, que acho será também muito interessante.
Enfim, o que é perto e o que é longe? Só seu coração tem a resposta.
Escrito em 27/06/2022
