É muito comum que, nas raras vezes em que perco o sono, acordo de madrugada com alguma ideia para um novo texto para o meu blog. Foi o que aconteceu esta noite. Já me aconteceu que essa ideia era tão boa que não me deixava dormir e eu levantei para escrever para conseguir dormir novamente; não foi o que aconteceu hoje. Cumpridas minhas “tarefas” matinais (banho, café da manhã e curativo na gaiola do tornozelo esquerdo) eu estava aguardando o horário do almoço, relembrando a ideia da madrugada e me perguntando se ia escrever sobre o que pensei naquele momento de insônia. Então minha musa inspiradora pediu uma ligação por vídeo. Foi a conta. As analogias sobre as quais eu havia pensado voltaram fortes à minha mente e aqui estou para colocá-las “no papel”. (Na verdade transformá-las em digitação…).
Gosto de considerar minha vida como um caminho, uma estrada, uma trilha em direção a algum objetivo. Aprendi com essa musa inspiradora (por enquanto, uma grande e inesperada amiga da rede social…) a não criar expectativas para não me decepcionar com a eventualidade de não poder realizá-las. Ela apareceu numa curva do meu caminho, num momento em que meu único objetivo era continuar vivo, mesmo sem saber por quê.
Meu caminho em busca por uma realização afetiva tem sido cheio de percalços e surpresas. Por escolhas erradas; na saída de um entroncamento, logo no início do caminho; pela ilusão de um desvio que me levou, afinal, para mais longe do meu objetivo. Quando achei um caminho promissor me deparei com uma queda de barreira que interrompeu a estrada. E novamente estava um caminho de destino incerto, numa estrada sem acostamento para um descanso. Aqui está uma outra analogia. Minha luta por uma realização afetiva se compara a um casamento em que a busca por constituir uma família termina com dois abortos e um parto prematuro de natimorto.
Mas, outra coisa que estou aprendendo, é me entregar ao caminho traçado por Deus. Só tentando entender as sinalizações. E eis que percebo que minha estrada era uma subida de serra. E, numa curva, me deparo com uma praia ao longe e a estrada começa a descer. Ainda não sei se a estrada em que estou me leva para a paisagem avistada. Não sei que percalços posso encontrar. Não sei se será possível chegar lá. Mas, só a existência daquela paisagem, e a possibilidade de chegar lá já me dá um novo alento. Como já falei, não crio mais expectativas. Mesmo que eu não chegue, a paisagem jamais sairá da minha mente. E minha vida já tem novo significado.
Escrito em 19/09/2025
