Usei ume forma de expressão muito usada nos Estados Unidos, nos esportes. Para comemorar recordes. Por exemplo, se um jogador bate o recorde de cestas numa temporada eles dizem: “Fez 600, e contando”. Significa que não vai parar aí. Então é isso, estou vivendo, e gostando, de viver. E vou continuar vivendo. Não que a vida seja um mar de rosas. Mas não há vida infeliz ou vida feliz. Há momentos infelizes e momentos felizes. Eles se alternam e o segredo é aprender a conviver com ambos. Lembro-me de uma frase de uma entrevista da grande Dercy Gonçalves: “Todo dia acordo com uma dor. Mas, quando não sentir nenhuma dor, significa que morri “. Mas hoje não vou falar de dores e, sim, de alegrias. Algumas coisas têm me acontecido que me deixaram feliz. Pela vida que estou vivendo.
Começou ontem com um vídeo que recebi da minha irmã Maria Sylvia. Ela estava toda feliz porque havia aprendido a gravar vídeos com o celular e enviar pelo Whatsapp. E ela estava radiante com essa conquista tecnológica. Como eu também nunca havia feito isso, e sou curioso por novidades, gravei um vídeo e enviei para ela. Comecei a pensar como essas pequenas vitórias são importantes para nós que já passamos dos 60 anos. Afinal, nascemos numa época em que não havia televisão, freezer, forno de microondas, etc. Que dirá de computadores e celulares… Tivemos que aprender, a duras penas, as tecnologias que foram aparecendo. E temos conseguindo. Só um exemplo de que me lembrei agora. Para descontar um cheque era preciso ir a uma agência. Lá recebíamos uma chapinha com um número (equivale à senha de agora) e entregávamos o cheque ao funcionário e ficávamos à espera (quase sempre muito longa). Aí o Caixa recebia o cheque e abria um grande arquivo (físico) para verificar a assinatura. Quando chamava nosso número tínhamos que mostrar um documento e dizer o valor do cheque. Se não ele não pagava. Hoje fazemos tudo pelo internet banking. Não foi fácil aprender. Hoje as crianças já nascem no meio dessa tecnologia e a consideram como banal e a usam com extrema facilidade. Não é incomum que pergunte para minha neta, Sophia de 11 anos, como resolver algum problema no celular. E meu neto, Pietro de 7 anos, acaba de inaugurar seu canal no YouTube (https://youtube.be/soVQbHiASGM).
Quando eu estava elaborando este texto, recebi um “zap” da minha amiga Carol, muito lindo e ela relatou que teve dificuldade para postar. Mas deu um jeito e mandou. A mensagem falava dos netos se despedindo dos avós, que eram de uma geração que aprendeu a sobreviver no meio da evolução acelerada do mundo. Tudo isso me levou a pensar que somos vencedores. Que nossos filhos e netos vencerão outras batalhas. E vencer batalhas é o que faz valer a pena viver. Estou com 74 anos, e contando!!
Escrito em 24/04/2021
