Só, no meio da multidão. Cercado de risos dos amigos, do olhar desconfiado dos adversários, do ciúme dos inimigos. Os espaços externos tomados. Mas nada ou ninguém suficientemente perto para romper a carapaça capricorniana e encher os vazios interiores, com afeição, carinho e amor. Mais um Natal, mais um Ano Novo, mais um espetáculo em que o palhaço faz rir a plateia enquanto na garganta enxuga suas lágrimas recônditas. Será que devo, eu mesmo, romper a barreira e deixar que as coisas aconteçam? Mas, quem entrará? Saberá reconhecer o terreno onde pisa? Dará valor ao que recebeu sem conquistar?
……
Nas festas de fim-de-ano,
Nas comidas e nas bebidas,
Abafamos e afogamos,
As ilusões perdidas
No passar dos anos.
Os glicérides iniciam seu
Trabalho, qual abutres,
Sobre os destroços do coração.
Escrito 23/12/1987
Publicado em 10/02/2025
