Terminei de ler o livro Escravidão vol. III de Laurentino Gomes. Já havia lido os dois primeiros. A trilogia trata da escravidão dos povos africanos no Brasil, desde o início até sua abolição. Foram mais de 300 anos importando 5 milhões de negros africanos. Mas este terceiro volume foi o que mais me impactou; especialmente o seu capítulo final intitulado O DIA SEGUINTE, que aborda o que aconteceu com os escravizados, depois de 13 de maio de 1888.
E para tudo sempre há uma explicação, mesmo quando hipócrita. Logo após o descobrimento os portugueses justificavam a importação de negros escravos porque o território era muito grande e não havia mão de obra suficiente para explorar este imenso território, onde “em se plantando, tudo dá”. A colonização do Brasil se deu, principalmente, pela doação do governo português, de grandes extensões de terra para serem exploradas por seus donatários. Então a exploração das imensas riquezas da colônia foi baseada na exploração da mão de obra escrava, barata e abundante. Os grandes senhores de engenhos de açúcar, das imensas plantações de café, das jazidas minerais. Formaram uma casta na sociedade e agiram sempre em conluio com os governos, que dependiam deles para pagar suas despesas. Em troca da sua cooperação financeira, recebiam título nobiliárquicos: barões, duques, condes, viscondes. As riquezas pelo Brasil, eram fundamentadas sobre a mão de obra escravizada. Na sua maioria essas riquezas eram exportadas para a Europa e Estados Unidos, que fingiam não saber como era a produção brasileira.
Este é brevíssimo apanhado sobre a mão de obra escrava. O capítulo a que me referi no início é muito chocante e explica o que é o racismo estrutural, assim definido no site https//www.desenvolvimentoscial.sp.gov.br o governo do Estado de São Paulo “O racismo estrutural é um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas presente no dia a dia da população que promove, mesmo sem a intenção, o preconceito racial.” O que aconteceu no dia de 13 de maio de 1888? De uma hora para outra os empresários ficaram sem a mão de obra escravizada. E os escravizados não tinham como subsistir. Então houve um certo acordo: os libertos aceitaram trabalhar em troca de sua subsistência. O trabalho não era tão diferente da época da escravidão… E os libertos nunca foram integrados na sociedade. Eram pessoas de segunda classe, sem nenhuma perspectiva de progresso para um lugar melhor na sociedade. Todas as estatísticas atuais mostram que os negros, ou pardos, têm dificuldade no acesso a bons empregos, habitação digna, educação de qualidade, segurança. Muitas vezes sequer percebemos que achamos “natural” esse racismo estrutural. Uma herança que recebemos e nem percebemos…
Escrito em 20/10/2022
