Como diz a música, responda quem souber… Eu não sei, mas tenho algumas ideias sobre isso. Já há algum tempo tenho meditado sobre este assunto, não sem preocupação. Essa preocupação começou quando passei a receber do Google mensagens como “Há seis anos…” “Suas fotos prediletas…” “Fizemos uma animação com sua foto”. Então aparecem fotos que estão no meu notebook ou no smartphone. Numa dessas mensagens eles incluíram uma série de fotos do meu neto Pietro em vários momentos de sua vida; mas sempre sendo ele a personagem central. Fico espantado com o fato de que eles estão entrando em minha vida sem que eu perceba. Quando pesquiso algum item para comprar, passo a receber inúmeras ofertas desse item vindas de diversos fornecedores dos quais nunca sequer comprei; ou mensagens como “Olhou e não comprou? Volte…”. Essa tecnologia me deixa realmente preocupado, devido à velocidade com que as coisas acontecem sem nos darmos conta.
Vejamos a velocidade de crescimento da tecnologia nos últimos tempos. As máquinas industriais a vapor foram criadas em meados do século XVIII. Deram início à chamada Revolução Industrial. Somente no início do século XX começaram a dar lugar aos motores a combustão interna e aos motores elétricos. Essas inovações se aperfeiçoaram e deram origem a uma Segunda Revolução Industrial, que durou até o início da segunda metade do século XX. Mas a atividade industrial, e o ambiente de negócios em geral, sem percebermos, começaram a mudar lentamente no final dos anos 1940, com a criação do primeiro computador, o ENIAC. Por volta dos anos 1960 as empresas já dependiam muito dos computadores de grande porte em suas operações. No começo dos anos 1970 começaram a surgir computadores menores, para aplicações de menor porte (foi quando comecei a trabalhar com Processamento de Dados, como se chamava a TI na época). No início dos anos 1990 a Microsoft já lançava o Windows para ser usado nos computadores individuais da IBM. Nesse mesmo ano foram lançados os primeiros celulares no Brasil, verdadeiros “tijolos” em comparação com os smartphones de hoje. Em 1988 a Internet começou a ser aberta ao público, de forma muito limitada em velocidade e conteúdo.
Vou parar por aqui, pois, se continuar, este texto não terá fim. O que percebemos é que os avanços tecnológicos acontecem cada vez com maior velocidade. E chegam com novidades que nem eram imaginadas quando do seu lançamento. A velocidade de absorção dessas novidades passou de séculos para décadas, para anos, para meses, para dias. Hoje dificilmente passamos mais de um dia sem saber de uma nova aplicação, um novo app. E como ficamos nós os chamados “imigrantes tecnológicos” que nascemos em outro momento, em “outro mundo”? Temos que nos adaptar e depressinha. O mundo teve muito tempo para se adaptar à Revolução Industrial. Empregos foram extintos, outros foram criados. As escolas se adaptaram às novas demandas, as famílias se reorganizaram para atender às novas exigências do trabalho. Gerações foram necessárias para que tudo isso acontecesse e a sociedade foi se acomodando sem perceber. Mas aí começou a aceleração, que veio a colocar as gerações em confronto. Nossos avós e pais tiveram que se adaptar aos carros velozes, aos aviões indo cada vez mais rápidos e mais longe, ao telefone, ao telégrafo sem fio, à televisão, ao rádio sem válvulas, e quantas coisas mais. Nascemos quando tudo isso já existia e era natural para nós. Não entendíamos as dificuldades deles para usarem essas tecnologias.
E aí começaram os avanços do computador pessoal, dos celulares evoluindo para smartphones, o e-mail substituído pelo Whatsapp, o caixa do banco substituído pelo caixa eletrônico, a agências bancárias substituídas pelo internet banking, as compras das lojas físicas concorrendo com o e-commerce, etc., etc. E nós, nos adaptamos, mesmo que parcialmente e com grande dificuldade. A geração seguinte à nossa não consegue, muitas vezes, de entender nossa dificuldade para conviver com toda essa tecnologia.
Mas aí começa o amanhã… percebo que meus netos dialogam numa boa com pais e tia. Essas duas gerações lidam igualmente bem com essa tecnologia. A pandemia da COVID-19, com as aulas em casa e à distância acelerou essa adaptação mútua. Com isso as tecnologias serão ainda mais disseminadas e tornadas mais naturais no dia-a-dia. Realmente não sei como será esse amanhã, mas será outro admirável mundo novo.
Escrito em 21/04/2022
