POR ÁGUA ABAIXO

Antes de entrar no tema de hoje, um pequeno preâmbulo. Como nos tornamos dependentes da tecnologia, particularmente da Internet! Há quase duas semanas estamos com um problema técnico aqui no Residencial Elite e a Internet está desligada. Todos os meus arquivos estão na nuvem e não tenho tido acesso à minha base de dados. Só anteontem o Edgar (tal pai, tal filho…rsrs) me ensinou a usar o celular como roteador da Internet e, finalmente ontem, consegui me conectar e posso novamente usar o Excel e o Word. Só não consigo acessar a TV pelo Claro Box, mas posso assistir Globoplay e Amazon Vídeo no notebook. Aí está por quê estive afastado do blog mais do que queria. Dito isto, vamos ao assunto.

Como não poderia deixar de ser, vou tratar um pouco da catástrofe ambiental do Rio Grande do Sul. Quando começaram as primeiras notícias fiquei muito preocupado com as consequências das inundações. Mortes, moradores tendo que abandonar suas casas com urgência, indo para abrigos provisórios. Dependendo de doações para se alimentar, se vestir, para se abrigar. Difícil sequer nos colocarmos no lugar dos flagelados. É uma dor que só se pode sentir passando por ela. Sentados em frente da TV e vendo, ao vivo, só podemos ter uma pálida dos sofrimentos experimentados pelos gaúchos; e fazer doações. Isso pode ser melhor avaliado pelos que, como eu, têm ligações de amizade ou parentesco e até por uma parte da história da família, com esse bravo povo farroupilha. Depois, com o passar dos dias, fomos sabendo de tantas histórias entre os desabrigados, perdas materiais, perdas por morte de entes queridos e amigos e vizinhos. Tudo ainda permeado por seres, verdadeiros animais, que se aproveitaram da situação para assaltar e saquear casas e comércios abandonados. (Que ardam no inferno!). A partir da hora em começaram as notícias de estabilização e até da lenta diminuição do alagamento, comecei a pensar em como seria o retorno ao que restava de suas casas e comércios/indústrias. Pensei comigo que seria o momento mais difícil. Constatar o que havia restado de suas casas, se é que havia restado alguma coisa. É o que estamos vendo agora. Casas que nem existem mais, lama até o teto em várias casas, móveis, eletrodomésticos inutilizados, automóveis irrecuperáveis. Lama, muita lama, visível quando a água baixou. Entulho nas calçadas. Aqui eu pude sentir um pouco mais de perto o que essas pessoas estão passando. Recentemente me mudei para este Residencial Elite e desmontei meu apartamento. Foi uma decisão pensada e necessária, mas difícil. Tanta coisa que fazia parte da minha vida, da minha história. Os móveis, os eletrodomésticos e uma boa parte das minhas roupas foram doadas. Isso me fez sentir mais leve, por saber que estava contribuindo para o bem de outros. Mas abandonar algumas coisas me doeram no coração. Algumas dessas coisas nem sei onde foram parar, e nem pergunto. Demorei várias semanas para me acostumar com a ideia de que minha vida agora é aqui e eu nada mais poderei fazer, a não ser me acostumar com esta nova vida. Mas os gaúchos não têm outra saída. Terão que recomeçar, quase todos começando do zero.

Um raciocínio para encerrar. Infelizmente tem muita gente tentando usar essa tragédia como forma de atacar as ideologias contrárias às suas. A alma dessas pessoas se equivale aos que assaltam e saqueiam, aproveitando um momento de fragilidade da população já tão sofrida… (Que também merecem um lugar no inferno). E já se começa o péssimo hábito de procurar culpados. Não existe só um culpado e as culpas estão espalhadas por várias gerações. Agora é o momento de resolver os problemas ocasionados pelo desastre ambiental. Graças a Deus, atenuados pelo espírito solidário da maioria dos brasileiros. E preparar-se para novos desastres climáticos, que devem se tornar cada vez maios frequentes, por causa do aquecimento global causado pela poluição.

Encerro com um pensamento que publiquei nas minhas redes sociais:

Já joguei fora meu desespero, dissolvido nas minhas lágrimas. Agora só me restam forças para levantar a cabeça, ir em frente e diluir meu cansaço em gotas de suor.

DEDICO AOS IRMÃOS GAÚCHOS.

Escrito em 22/05/2024

UNIVERSOS PARALELOS

Na minha interpretação, nos universos paralelos acontecem as mesmas coisas que no nosso, só que com o sinal trocado. Então vejamos a que estou me referindo. Todas as manchetes do dia 01/04/2024 diziam mais ou menos a mesma coisa: “Carro de luxo bate em carro de aplicativo e mata seu motorista”; “Porsche em alta velocidade bate em carro de aplicativo. Motorista de aplicativo não resiste e morre no hospital”. No nosso universo, deve ter havido uma ação de marketing da Porsche porque logo todas a notícias passaram a se referir “um carro de luxo”. Isso já uma interpretação minha, pelo conheço do marketing (confesso que sou amador nesse assunto…). À medida que foram sendo levantadas mais informações sobre o acidente, ficamos sabendo:

– Não havia passageiro no carro de aplicativo;

– O “carro de luxo” passou por um posto de gasolina a 156 km/h e bateu no carro de aplicativo a 114km/h (ou seja, já devia estar freando…);

– O motorista do “carro de luxo” levava um amigo no banco do carona, que ficou gravemente ferido;

– Houve uma discussão entre dois casais de amigos, supostamente porque a namorada do motorista do “carro de luxo” não queria que ele dirigisse por estar alcoolizado. O amigo foi com ele para evitar que fizesse alguma bobagem (o que não conseguiu…);

– A mãe do motorista do “carro de luxo” saiu da cena para, supostamente, levá-lo a um PS para tratar de um ferimento na boca, o que fica claro não ser verdade quando se olha a imagem da câmera peitoral dos PM’s que atenderam ao chamado. O PM liberou-os, sem usar o etilômetro (bafômetro) para medir o teor de álcool no sangue (talvez impressionado com a inocência de quem tem um carro luxo…)

Até o momento que escrevo, o motorista do Porsche (sim, o marketing não conseguiu segurar muito tempo…), orientado por advogado competentíssimo (que não deve ser barato…) tem se esquivado à prisão, três vezes pedida e três vezes negada e, afinal, decretada, mas ainda não executada por ele estar foragido. Não vou me alongar, mas as desculpas que mãe e filho apresentam denotam que seguem orientação do advogado e desafiam a inteligência de todos que têm QI superior a 80.

Agora vejamos como isso tudo se passou no universo paralelo.

O jornal NOVAS DA MADRUGA noticiou: “Carro de aplicativo, em excesso de velocidade, bate em carro de luxo e fere gravemente seu motorista. Passageiro do carro de aplicativo vai a óbito ao dar entrada no PS.”

O que foi notícia nos dias seguintes:

– O carro de aplicativo passou a 120km/h num posto de gasolina. Quando bateu nos Porsche, estava a 100 km/h (já devia estar freando…).

– Antes de pegar o passageiro, o motorista de aplicativo estava “tomando umas com os amigos”, quando veio o recado da central do aplicativo oferecendo uma corrida. Os amigos pediram para ele não ir, por ter tomado bebida alcóolica, mas ele disse que precisava faturar. E foi.

– O motorista do Porsche chamou a mãe. Ela veio e providenciou a chamada de uma ambulância para levar o filho para um hospital particular. Enquanto esperava ela perguntou aos policiais se tinham feito o teste do bafômetro no motorista de aplicativo. Eles não tinham o etilômetro, ela insistiu e tiveram que pedir numa delegacia próxima. Enquanto o teste não foi feito, ela fez a ambulância aguardar. Constatado o teor de álcool acima do permitido, o motorista de aplicativo foi detido e mãe levou o filho para o hospital.

– O motorista de aplicativo está sendo atendido por um advogado do Sindicato da categoria, que já entrou três vezes com um pedido de Habeas Corpus para que ele possa responder em liberdade e assim ter uma forma de sustentar a família. Pedidos até agora não atendidos.

O que justifica a diferença entre o universo real e o paralelo? A troca dos status sociais….

Escrito em 06/05/2024

PONTO DE VISTA

Hoje me senti à vontade para voltar a escrever. Desde que operei o fêmur, há pouco mais de um ano, deixei de me sentar à varanda para levar aquele papo. Inicialmente tinha uma “justificativa” física. Era difícil sentar para escrever preso a uma cadeira de rodas. Quando passei a usar o andador, tinha a desculpa de que no quarto não havia internet e era difícil me concentrar na escrita quando estava na área comum do Residencial. E, afinal, minha preguiça para encontrar novas estórias para contar. Tentei fazer, como sempre fiz: montar o esboço do texto na minha mente e digitar desenvolvendo essa ideia. Deus é testemunha de que tentei. Mas esbarrei na dificuldade de encontrar fatos da minha vida que pudessem ser um bom tema para o Papo na Varanda. E não encontrei (pelo menos até agora). Resolvi produzir um texto de ficção com alguns tons da minha realidade: isto se chama ficção. E assim nasceu a Viagem de Trem. Mas ainda não tinha disposição para digitar. Aquele texto demorou vários dias para ser produzido, pois logo me sentia cansado. Com isso, fui adiando fazer o que estou fazendo agora, em nome da minha indisposição (real), causada por manhãs de indisposição estomacal e tardes de sensação de desequilíbrio que me deixavam desanimado. Talvez como resultado de muitas orações, da família, dos amigos e amigas e das minha próprias, tenho me livrado de pelo menos 80% desses mal estares. Há dois dias que minha náusea se dissipa rapidamente e tenho-me sentido bem equilibrado, pouco precisando de apoio para caminhar. E, afinal, senti disposição para retomar em dos meus passatempos prediletos: escrever. E aqui me tens de regresso, caro teclado.

Mas persistia a dúvida: sobre o quê escrever? Até, eureca!, achei um caminho que vai facilitar um pouco minha tarefa. Resolvi abordar fatos do nosso dia a dia. Afinal todo dia acontece algo que nos chama a atenção e, sobre isso, sempre é possível fazer observações e emitir opinião, com o único risco de provocar opiniões contrárias que até me servirão para rever ou consolidar minha interpretação. Então, bolei como que um subtítulo para o blog: Papo na Varanda – PONTO DE VISTA. Vamos lá, espero que gostem e digam do que não gostem.

Vou começar pelo do meu xará “Tio Paulo”. O cadáver à frente do caixa do banco para levantar um empréstimo. Logo que a notícia foi para o ar, começaram os julgamentos. De cara, a imprensa noticiou com texto do tipo: “mulher leva homem morto para levantar empréstimo”. Pronto! Veja na gravação uma tentativa de estelionato! Como sempre, a primeira impressão pode não ser totalmente real. Num segundo momento, a mulher passou a ser identificada como sobrinha e cuidadora do idoso que ela chamava de tio Paulo. Já se notava uma pequena mudança na classificação da “estelionatária”. Depois mostraram vídeos dela com o “tio” entrando em lojas de empréstimos e no próprio banco e, aparentemente pelo menos, com vida. Começam a surgir as primeiras dúvidas: será que estava vivo quando entrou no banco?; por que ela esteve em lojas de empréstimos?; aquele vídeo que mostra a retirada dele de um carro de aplicativo, foi quando?; como o banco poderia ter o contrato de empréstimo pronto para ele assinar? Até então havia mais perguntas, mas parece que foi abandonada a classificação dela como estelionatária. E, a certa altura, a advogada apresenta comprovação de que ela estava em tratamento psiquiátrico; mas, qual é o diagnóstico?; que tipo diagnóstico permitiria que ela cuidasse da filha com “necessidades especiais” (que necessidades seriam?).  Dependendo desse diagnóstico, pode ser que ela não tivesse consciência da situação real do tio. Talvez por esta dúvida ela tenha sido solta para responder ao inquérito em liberdade. Enfim, ainda há mais pontos de interrogações à espera de respostas, que, espero, serão respondidas no inquérito.  Qual a minha conclusão? Temos uma tendência de julgar as pessoas sem conhecer toda verdade sobre elas. É preciso aprendermos a ver todos os fatos antes de julgar alguém. E prestar atenção nas notícias veiculadas na imprensa, que emitem notícias sensacionalistas, no afã ocupar o maior espaço na mídia e redes sociais ou, o que é muito pior, em certos casos, transmitir sub-repticiamente, posições ideológicas. Vejamos onde tudo isso vai dar…

Escrito em 03/05/2024