Deitado na penumbra do seu quarto, Clóvis olhava para o teto pensando no momento que vivia em sua vida e reconstruía alguns dos caminhos que trilhara para chegar até aqui. Veio, então, à sua mente um conceito que aprendera nas empresas norte-americanas em que trabalhara na sua carreira. Era “a última milha”; em inglês, “the last mile”. Essa expressão, originalmente significava a última etapa para atender ao pedido de um cliente. O momento entre o produto ou serviço pronto e sua entrega ao cliente. Um erro ou problema nessa etapa pode significar prejuízo e até a perda do cliente. Por isso, seria necessário não “abrir a guarda” nesse momento final causando, muitas vezes, problemas que poderiam por a perder tudo o que tivesse sido feito até o momento. Aos poucos a expressão passou a ser usada em muitas situações, enfatizando o cuidado necessário para que “a última milha” não viesse a prejudicar o resultado dos esforços desenvolvidos até então.
Clóvis sentiu que poderia estar vivendo a última milha de sua vida. Muitos dos seus caminhos mostraram erros na “última milha”. Esses erros o levaram para desvios indesejados. Alguns desses erros formam devidos à escolha do caminho errado, outros foram devidos a situações fora do seu controle, causados por fatores independentes de sua vontade, como o fechamento do caminho que havia escolhido. Ele fizera um esforço sincero para adaptar-se ao novo caminho, recalibrando seus objetivos, reformando seus sonhos e corrigindo seus erros. Para esta última milha da sua vida ainda tentava amenizar as consequências das más decisões e dirigir seus esforços para os novos sonhos possíveis. Eram desafios que ele estava enfrentando, mas, como sempre, não recuaria até que a luta lhe mostrasse que eram sonhos impossíveis. Ele haveria de lutar enquanto tivesse forças e saúde para cumprir bem essa “última milha”, mesmo que só conseguisse entregar ao Cliente boas lembranças.
Escrito em 03/08/2025
