A Wilma nos deixou no último dia 25. E ontem demos adeus a ela no Cemitério Memorial de Santos. Com ela vai também um pedaço da vida de todos que conviveram com ela. Um pedaço que é de um tamanho diferente para cada um. O pedaço maior, sem dúvida é da minha prima Mirian e seu marido Sérgio (Recebam um beijo especial de agradecimento pela dedicação e cuidado que tiveram com ela até o fim). Mas o meu não é pequeno também.
A Wilma – minha prima em segundo grau – era, acima disso, muito acima, minha madrinha de batismo. Ela foi talvez a última pessoa, que conheço, que incorporou a imagem da madrinha como segunda mãe. Recebi muito carinho e atenção dela, a vida toda. Nunca deixou passar em branco um aniversário, um Natal, um Ano Novo. Ela meu deu um espaço acolhedor no chalé da R. Augusto Paulino e depois no apartamento da R. Vergueiro Steidel. Nesses locais passei momentos inesquecíveis da minha infância e adolescência. Tantas lembranças que dariam para escrever um livro. Uma delas me vem com frequência à mente é uma vez que ela veio me buscar em São Paulo, para passar um tempo em Santos. Eu era bem pequeno, talvez por volta dos meus dez anos. Não sei por que, fomos de trem. Foi a primeira e última vez que desci a serra de trem. Tudo que me lembro é que chovia muito, o trem descia tão devagar (hoje sei que era por causa do sistema de cremalheira) que vendedores de sanduíches desciam de um vagão e iam a pé até o próximo, e eu estava muito tranqüilo ao lado da minha madrinha.
Essa foi uma madrinha especial. Ontem, alguns de seus afilhados estavam no velório: eu, minha prima Regina (Zuca), o Eduardo. Comentávamos, a Zuca e eu, com todos fomos privilegiados por sermos afilhados dela. E havia até um certo ciúme sadio entre nós para saber quem era o afilhado predileto. Isso foi como os filhos disputando o amor dos pais. Simplesmente porque ela foi mesmo como uma segunda mãe para nós.
Hoje fico com a lembrança da minha madrinha, lutadora incansável, vencedora de muitas batalhas. Que me deu tanto carinho, muitas vezes expresso pelas famosas e deliciosas empadinhas de que eu tanto gostava. Vai, madrinha, para o lado do Márcio, da Zildinha, da Juju, do Chico e de tantas outras pessoas importantes na sua vida. Não é adeus. É “até um dia, minha segunda mãe”.
Escrito em 27/11/2010
Republicado em 25/04/2026
