VOCABULÁRIO INFANTIL

Dizem que o que é proibido é mais gostoso. Talvez seja mais tentador. Então aqui vai um exemplo engraçado de como esse aforismo é verdadeiro.

Já comentei em alguma postagem que eu e meu primo Nelson (Junior, na família) fomos criados juntos. Morávamos na mesma calçada, nossa diferença de idade é de apenas 18 meses e até, durante muito tempo, estudamos na mesma escola. Então é de esperar que haja muitas “aventuras” para contar. Esta é uma delas.

 Não sei por que, meus tios Nelson e Jandira não gostavam que falássemos “xixi” e “cocô”. Por isso usávamos as “criativas” palavras “pixí” e “dudi”. Assim:

– Tia, quero fazer pixí.

ou:

– Cuidado com o dudi de cachorro na calçada.

Ah!! Como é gostoso fazer o que é proibido…. Meu primo e eu criamos um personagem fictício chamado “seu” Manoel. Ficávamos horas numa rede da área de serviço contando estórias do “seu” Manoel. Sempre intensamente recheadas das palavras proibidas. Um começava:

– Seu Manoel estava muito apertado para fazer dudi, mas acabou fazendo pixí na calça.

E o outro emendava:

– E quando ele procurava um lugar para fazer pixí, tropeçou numa lata cheia de dudi.

E assim passávamos horas inventando estórias com muito pixí e dudi.

Encerrada a primeira cena, vamos dar um pulo no tempo.

Já estávamos na casa 15 anos e as estórias do seu Manoel eram apenas recordações da infância, quando apareceram novos vizinhos na mesma calçada. Era uma família que vinha de Amparo, cidade próxima a Campinas. Era o casal e três filhos, um menino e duas meninas. Eles tinham uma lotérica lá em Amparo. Nessa época a Caixa só tinha a Loteria Esportiva, além dos bilhetes. Os apostadores preenchiam o volante com a aposta e seus dados pessoais (Nome e endereço). O marido passava a semana em Amparo e vinha para São Paulo na sexta-feira com caixas e caixas de volantes para fazer os cartões com as apostas. A turma toda passava horas ajudando. Por puro interesse, como se verá.

O filho, mais velho, Paulo foi matriculado na mesma escola em que eu e meu primo estudávamos. Ele era uma figuraça. Emitia grandes frases filosóficas, como:

– Sem interesse não há progresso…

Ou, enquanto descansávamos do trabalho lotérico, escarrapachados em sofá e poltronas:

– É… Nada como a posição social do indivíduo…

A irmã do meio, a Maria da Graça fazia jus ao nome. Uma garota muito linda mesmo, que deixou a todos embevecidos e suspirantes. E nos fez ter muita vontade de ajudar na perfuração dos cartões da loteria. Ela percebeu e, natural ou pensadamente, tratou de nos tratar geladamente.

E, afinal, a cereja deste bolo. A irmã mais nova era uma simpatia e ria de tudo que falávamos. Brincava o tempo todo. Todos gostavam dela e a paparicavam, um pouco para compensar a frieza da Maria da Graça. E quando a conhecemos foi um desastre. Ela se chamava Eduarda. E o Paulo explicou quando nos apresentou:

– O nome dela é Eduarda, mas nós a chamamos pelo apelido. É Dudi…

O Nelson e eu caímos na risada e ninguém nunca entendeu por que…

Pano rápido.

Escrito em 19/10/2023

TEXTO FINAL

 Ou inicial?

Depois de muito meditar, aqui estou para meu último texto sobre minha experiência no Residencial para Idosos. Começo pelo encerramento do último texto sobre minhas anotações. Terminei com a questão: FIM (ou será começo?). Houve muitas reações a esta pergunta. Muitas sugerindo que era um recomeço. Acho que não será o FIM, mas também não será Recomeço. Pois só se recomeça algo não terminado, que não sinto ser o caso.  Também não é o FIM, pois a experiência desses dois meses ficou marcada indelevelmente na minha mente. Assim como está sendo marcada a companhia de uma cuidadora, três dias por semana. Então penso que é um começo de algo novo na minha vida. Espero que tenha aprendido muitas lições e espero que possa utilizá-las em benefício de outras pessoas.

Quem seriam essas pessoas? Avalio alguns tipos de público-alvo, todos ligados ao fenômeno mundial de envelhecimento da população (hoje, no Brasil, as pessoas com 60 anos ou mais é de 33 milhões de pessoas, maior que a população de crianças até 9 anos…): Pessoas com 60+

– Com boa saúde física e mental

– Com problemas físicos

– Com problemas mentais

– Que moram em casa, sozinhos ou com alguém da família

– Que moram em qualquer equipamento de atenção especial (residenciais, hotéis para idosos, asilo de qualquer tipo etc.)

– Cuidadores e cuidadoras profissionais

– As famílias desse público, em qualquer dessas situações

– Profissionais da saúde pública, focados nessa população

Você que me lê, se identificar mais algum grupo, fique à vontade para sugerir. O que estou pensando? Identificar, ou iniciar, uma rede atenção para os grupos mencionados. Confesso que ainda não tenho uma ideia sobre como fazer isso. Tenho prestado atenção no noticiário, onde só deparei até agora com duas informações interessantes. Um abrigo beneficente para pessoas 60+ em situação de rua. E uma ONG chamada Instituto Longevidade em https://institutodelongevidade.org.  Mas este instituto é voltado mais a questões financeiras desse público. Baixei também o Estatuto do Idoso em:  https://www.planalto.gov.br/ccivil_3/_Ato2019-2022/Lei/L14423.htm. Ainda não estudei essa lei.

O que eu penso e quero sua opinião:

  • Formar uma comunidade na Internet onde as pessoas possam trocar informações e experiências
  • Estruturar uma ONG para atuar nesse campo
  • Com a colaboração de apoiadores financeiros, montar abrigos beneficentes
  • Encontrar ONG’s, ou similares, ou até mesmo pessoas físicas, e oferecer trabalho voluntário.

Enfim, estou só começando a tratar do assunto, a certeza de que várias cabeças pensam melhor que uma.

Escrito em 12/10/2023