Ontem eu tive um desses momentos felizes a que já me referi em algum post deste blog. Por várias razões. A primeira é que foi minha primeira viagem de lazer desde 2019. Primeiro pelo estado de saúde da Viviane, depois também pela pandemia. A convite de minha irmã Maria Zélia, fomos passar o dia em Pindamonhangaba, na casa da prima Heloisa e seu marido José Roberto. Como estamos aprendendo a valorizar coisas a que não dávamos muita importância! Já fiz incontáveis vezes esse trajeto, para Pinda e Aparecida. Ontem tudo teve um sabor novo. Os carros, caminhões, ônibus, motos. As placas com o nome das cidades. As fábricas. As paisagens do lindo Vale do Paraíba. O gado pastando. Tudo me parecia novo. Que delícia.
A segunda razão foi exatamente o encontro com a You (carinhoso apelido da Heloisa). Foi o primeiro abraço, cuidadoso, longo e apertado, que dei em alguém que não fossem meus filhos ou meus netos. Que sensação mais gostosa!! E foi um abraço com duplo significado, porque há poucos dias ela, remexendo fotografias antigas, lembrou que fui seu padrinho de casamento, representando meu pai, junto com minha mãe, seus padrinhos de batismo. Repassamos o álbum do casamento e tivemos muitas doces recordações. Além de tudo, trouxe um queijo fresco de fabricação caseira. Tão fresco que parecia um requeijão.
A terceira razão, talvez a maior responsável pela minha alegria que começou ontem, continua hoje e, certamente permanecerá por muito tempo. É que durante as pouco mais de quatro horas de estrada, conversamos. Só nós dois no carro. Como há muitos e muitos anos não fazíamos. Talvez até nunca com essa profundidade. Vale um breve parêntesis. Estou lendo um livro do Bispo sul africano Desmond Tutu e sua filha Mpho, intitulado O Livro do Perdão. O livro exige muita autocrítica e tem que ser pensado a cada página. O primeiro passo para pedir ou conceder o perdão é Contar a História. Dizer o que aconteceu para que a pessoa peça o perdão. Ou o conceda. Pois bem, sem qualquer planejamento, falamos sobre tantas coisas que nos machucaram. Nossos casamentos, as relações com os filhos, a alienação parental, como tudo afetou nossas vidas e como lidamos com isso tudo. Falamos sobre o perdão, quando ela falou sobre a filosofia espírita sobre o assunto. Ao final da viagem eu me sentia leve. Tirei da garganta tanta coisa que estava presa lá e nunca havia dito a ninguém. Sinto que tirei um peso dos ombros. Não posso mudar o passado, mas posso, e é o que estou fazendo, fazer um presente e um futuro melhor.
De fato, um domingo feliz.
Escrito em07/06/2021

Paulo, q texto delicioso de ler. Fiquei pensando nesta viagem me pareceu mto agradável e significativa vc fez, pois desde 2019 n desfrutava deste prazer. Q mtas outras venham, p seu deleite.
Obrigado, minha amiga. Que Deus a ouça, pois adoro viajar.