Esse título, normalmente, é uma expressão usada para indicar que estamos deleitados ou surpresos com alguma coisa.
Só que hoje assume um significado triste. Relutei muito para fazer este texto. Afinal, a ideia do blog é escrever textos com os quais me distraia e possam distrair que os leem. Mas hoje não vai ser assim. Vai ser um texto triste, cheio de amargura e revolta. Tudo por causa dos sentimentos que me inspiram a situação de Manaus.
Ontem, durante um noticiário da TV, quando os acontecimentos de Manaus já estavam me causando aflição – que eu julgava só minha – fui surpreendido com o choro, ao vivo, de uma jornalista muito experiente ao começar a comentar sobre a situação na capital do Amazonas. E essa justa emoção dela mexeu comigo também. Eu posso avaliar com bastante clareza o que as famílias estão passando.
Eu nunca tinha estado com uma pessoa nos seus últimos momentos, até acontecer com a Viviane. Embora eu estivesse prevenido pelos médicos, foi muito difícil. Ao chegar ao hospital encontrei a Viviane com muita dificuldade para respirar. E ela estava sedada e ligada ao oxigênio. E logo se foi, em paz. Esse quadro me veio claramente à cabeça e acompanhei a jornalista. Sou capaz de avaliar o sofrimento dos infectados e suas famílias. A pessoa não está sedada e não pode respirar. Deve ser uma aflição infinita. É o que imagino que também deva ser a agonia de uma pessoa se afogando. Foi nessa hora que tive a ideia de escrever este texto. E com o passar das horas fui sedimentando uma sensação de revolta, até a hora do panelaço de ontem à noite. Fui para a janela e bati minha panela.
Então resolvi retomar uma atitude ativista que havia abandonado há anos. Não vou para rua, não vou encaminhar fake news, não vou apoiar este ou aquele político. Vou deixar de me manter neutro enquanto as coisas acontecem colocando nossa sociedade em risco. Nem direita, nem esquerda, nem centro. Nem socialismo nem liberalismo (embora a maioria dos meus amigos saiba minha inclinação).
Estou preparado para debater, ouvir críticas desapaixonadas. Mas não estou preparado, definitivamente, para ficar inerte.
Escrito em 16/01/2021
