AVÔ PATERNO I

Quando eu era um jovenzinho adorava visitar minha avó paterna. Vovó Cecília era muito meiga e me tratava com muito carinho. Além de fazer meu prato predileto, cebolas recheadas, contava histórias da família. Do meu avô Firmino e o grande amor que os uniu, do meu pai, dos meus tios. Pelo que ela me contou, herdei do meu avô o gosto pela cozinha e a habilidade para escrever. Uma vez ela me mostrou com caderno com coisas escritas por ele. Fiquei tão encantado que copiei dois textos desse caderno. Ela me contava que ele era apaixonado por ela mas achava que ela não era tão apaixonada por ele, o que não era verdade. Copiei dois textos que falam sobre esse amor. Hoje publico uma poesia e, no próximo post, transcreverei um trecho do diário dele.

(adaptei a gramática para as regras atuais)

TEU RETRATO

Porte airoso qual princesa encantadora,

Olhar fascinante que me ilumina a vida

Anjo, se é que d’alguém és querida,

És mais por este que teu ser adora.

Mirando tua imagem pedi piedade

Para mim, que vivo em pleno desespero;

De ti bondosa, santa, sempre o espero

Porém, na mais dorida e justa ansiedade.

Estático, triste com teu retrato à mão

Quis mitigar a intensa saudade, em vão,

E então vendo-te linda eu delirando,

Tive ímpetos e terríveis desejos

De dar-te uma multidão de beijos,

Oh! meu amor por quem vivo suspirando.

Firmino Tamandaré de Toledo Jr.

Março de 1901, Ipanema

Publicado em 11/05/2021

4 respostas para “AVÔ PATERNO I

  1. Primo, que delícia ler essa poesia e conhecer um pouco mais do avô Firmino! Minha mãe conta que ele já amava a vovó muito antes de se casarem!

  2. Que linda poesia Paulo! Tempo que o romantismo tinha um valor ímpar!
    E que riqueza vc tirar do baú essas joias e partilhar com a gente ….!
    Obrigada!

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