AVÔ PATERNO II

Como prometi no post anterior, aqui vai o trecho que copiei do diário do meu avô Firmino, conforme sugestão da minha avó Cecília.

“Mudei-me para São Paulo a fim de seguir o curso de Farmácia.

Tempo feliz e cheio de tristezas. Em 30 de março do mesmo ano, passei por uma fortíssima prova que muito tem me agoniado e de cuja dor profunda nasceu outra fase da minha vida na qual encontrarei acerrados abrolhos. A vida do homem é uma mudança pertinaz que só termina com a morte. O amor sincero que nasce da simpatia e transforma-se em veneração abranda os sofrimentos do homem, quando o encontramos em outrem mas, quando ele existe em nós e, por qualquer circunstância, falta no ente amado, é o agente mais teimoso e cruo que abriga a metamorfose da vida sempre para o mal. Os sofrimentos nunca se abrandam e essa veneração impossível, torna-se em desraiga-la do coração. Viver, amar, venerar, sofrer e morrer eis todo o quadro que o inexorável destino entregou-me como perfeita representação da minha vida. Nunca esqueçais sua palavra que é sagrada e cuja falta dela nos fará um cadáver moral. Calai teu parecer para não servires de galhofa ao mundo. Ocultai teu amor não deixando jamais que ele se expanda completo porque só vos trará acerbas dores, que são frutos das alegrias e júbilos de quem as causa. Fiel ao teu afeto, primeiro a morte te será suportável pois  imagem idolatrada sempre estará presente, porém, muda como uma estátua e fria como a morte. Assim podes não encontrar no anjo dileto essa afeição sincera, a angústia que daí provém será minorada em teu espírito pelo contrabalanço da sinceridade e constância. Amai esse anjo……., e morrei por ele.

Firmino Tamandaré de Toledo Jr. 31-01-1902”

Desse amor de Firmino e …… (Cecília) nasceu meu lado paterno da família.

Publicado em 12/05/2021

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