A música e eu temos uma “relação platônica”. Quero dizer, nunca fomos “às vias de fato”. Eu amo a música, mas não entendo praticamente nada de sua estrutura técnica, a forma de sua representação matemática (segundo me contou um colega da ECA que estava fazendo doutorado em percussão). Não consigo entender, na maioria dos casos, a relação direta entre a música e as imagens que os conhecedores identificam. Especialmente na ópera, no ballet e na música clássica. Amo ver O Lago do Cisne, assistir Carmen eu ouvir o Concerto nº 1 Para Piano e Orquestra, de Tchaikovsky. Mal comparando, gosto muito de “Boef Bourguignon”, mas nem sei se poderia fazer.
Muito antes de sequer se falar em computador, internet e ensino à distância, existia o Instituto Universal Brasileiro, que oferecia cursos por correspondência. Juro que tentei aprender. Comprei o curso de teclado. Comprei um teclado eletrônico e iniciei o estudo. Mas eu não conseguia distinguir uma nota da outra. Fiz etiqueta para cada tecla e nada… Ouvia os discos e não conseguia ligar o áudio com o som. Depois de alguns meses de empenho só conseguia tocar o comecinho do Parabéns a Você. Nunca alguém me escutou nessa performance. Muito frustrado, interrompi os estudos e engavetei a decepção comigo mesmo. Jamais consegui tocar algum instrumento.
Então aprendi a simplesmente me deleitar com a música que outros compunham e tocavam. Sempre me perguntando: “Como eles conseguem??” A música é minha companheira de todas horas. Acordo com música e durmo embalado pela música. Ouço enquanto leio, enquanto cozinho, enquanto tomo banho, quando guiava, quando fazia minhas caminhadas solitárias. Nesta época de isolamento social, enfim aprendi como é minha relação com a música. Platônica como eu disse lá no começo. A música é a sombra gostosa do meu passado. Todas as músicas de que gosto me trazem uma boa lembrança ou apenas são agradáveis aos meus ouvidos. Uma época, um momento, um instante. A música vive me dizendo: “Lembra daquele ano, daquela viagem, daquele baile, daquela festa, deles, dela, a última vez que…, a primeira vê que…?” Tenho compartilhado diariamente uma música que me tocou naquele dia. Mas não vou contar o que ela me contou. Isso é entre a música e eu.
Escrito em 06/07/2021

Amo música, simplesmente Amo. Embala meus sonhos,minhas lembranças e completa meus dias. Cada uma com seu encanto e mensagem particular.
É isso que estou cada vez mais descobrindo. Como a música nos faz companhia.
A amúsica te alimenta, a mim tbem, excelnente relação.
Oi Anna, pelas suas publicações percebo que também aprecia uma boa música.
Muito bom
Obrigado, minha irmã.
Amei amei seu amor platonico fica brilhante por participar conosco! ABS
Obrigado minha prima. Bom saber que você está gostando. Abraços e beijos.