SINTO-ME UM CYBORG

Um necessário preâmbulo, para quem não sabe ou não conheceu. “Cyborg – O Homem de Seis Milhões de Dólares” é o título de uma série de TV de 1973. Nela o ator Lee Majors faz o papel de um astronauta altamente treinado que sofre um grave acidente num teste de foguete. Nesse acidente ele perde, se bem me recordo, as duas pernas, um braço, a outra mão e um olho. Nessa época o exército americano estava desenvolvendo próteses biônicas, no valor de seis milhões de dólares. Então resolvem implantar essas próteses nele. Assim ele passa a possuir capacidades de força, velocidade e visão que passam ser utilizadas em missões especiais. Agora que todos estamos na mesma página, vejamos a razão do título deste texto.

É o seguinte: quem olhar minha história apenas sob o ponto físico pode pensar que a vida me atropelou. Nos últimos 25 anos me tiraram a próstata, a vesícula, o esôfago, colocaram uma tela no meu ventre para reduzir uma hérnia, implantaram três pinos de aço no colo do meu fêmur esquerdo e me deram cinco pontos no supercílio. Sem contar a patela rompida em três pedaços, o que me fez ficar quase quatro meses em repouso com a perna esquerda imobilizada.

Então perguntariam: que tipo de Cyborg sou eu?? Não, não recebi nenhuma prótese. Mas a vida me compensou com outras coisas muito mais valiosas. Tenho dois filhos maravilhosos, um neto e uma neta incríveis e uma nora admirável. Meus filhos vão muito bem na profissão e, ao invés de eu os ajudar, são eles  que me ajudam sempre que necessário. Tenho ótimas relações com minhas duas irmãs, e tenho boas recordações das outras duas irmãs que já se foram. Vivi 12 anos maravilhosos com a Viviane, quando achei que já estava “aposentado” da vida sentimental; e esses anos deixaram doces lembranças que me fazem companhia no dia a dia. Fiz tantas amizades que nem dá para contar; algumas há mais de 60 anos, outras bem mais recentemente. Tenho tantas primas, primos, tios com quem sempre troco mensagens carinhosas. A Internet me trouxe a proximidade virtual de tanto amigos e parentes que estão fisicamente longe, mas ao alcance de um ou dois cliques. No Pará, na Itália, nos Estados Unidos, no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Brasília, no Espírito Santo, em Sorocaba e em Santos… Tenho 13 sobrinhos, dentre eles três afilhadas, uma sobrinha-neta e uma sobrinha-bisneta. Tenho meu Kindle, uma quantidade de livros aguardando sua vez para serem lidos. Tenho meus esportes na TV, filmes e séries em streaming. Tenho minha cozinha onde me divirto quase todo dia. Tenho muitos recursos na vizinhança, incluindo o boteco onde pego minha feijoada de todos os sábados.

E agora criei este espaço onde coloco minha alma a nu. Agora que estou chegando ao fim, acho que tenho que voltar ao segundo parágrafo para lembrar porque escrevi este texto.

Escrito em 16/02/2022

14 respostas para “SINTO-ME UM CYBORG

  1. O texto, além de muito bem redigido ,demonstra a inegável e maravilhosa qualidade do autor em relatar seus pensamentos, suas histórias ( Ou estórias?)
    Parabéns Paulo. Gostaria muito de ter condições de publicar seus escritos, suas narrativas. Excelente !

    1. Carol, vindo de você, cujos textos você sabe que admiro, é um motivo de orgulho sadio. Quem sabe um dia os publico. Obrigado pelo comentário. Beijos

    1. Obrigado, Carlos Alberto. É isso mesmo que procurei transmitir. Obrigado por ser parte da minha lita de amigos. Abraço tricolor…

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