JANELAS FECHADAS E JANELAS ABERTAS

Há dias em que estamos alegres, mesmo quando não sabemos por quê. Simplesmente acordamos assim. Outros dias, da mesma forma, acordamos tristes. Muitas vezes também não sabemos a causa da tristeza. Simplesmente acordamos com essa sensação. E há dias em que estamos mais introspectivos. Na maioria desses casos, acabamos descobrindo o que nos fez acordar assim. Ontem, quando fui deitar eu sabia que hoje seria um dia introspectivo. Hoje faz dois anos que a Viviane nos deixou. Nos porque ela deixou a mim, ao filho, irmã, tantos primos, primas, tios, tias e tantas amigas, amigos e admiradores da sua produção acadêmica. Difícil pensar nela com tristeza, a não ser pela sua ausência. Mas os últimos tempos dela foram muito difíceis, na sua luta contra o câncer. Aquela mulher ativa, que pensava nos outros antes de si mesma, sempre em busca da proteção de crianças e adolescentes contra a violência doméstica, saiu de cena aos poucos. Passar os últimos dias de sua vida presa a uma cama hospitalar e tendo que usar cadeira de rodas para se locomover foi muito difícil para ela. Mas ela lutou com todas as suas forças, como boa guerreira como sempre foi reconhecida por todos, lutou com as forças que tinha. Mas o fim realmente, não é uma figura de linguagem, foi para ela um descanso. Não me sinto triste pela ausência dela, pois sempre me recordo de tantos bons momentos que desfrutamos juntos. Tenho certeza de que ela queria que eu tocasse minha vida da melhor forma possível. É o que estou procurando fazer. Essa foi a janela que se fechou.

E qual a janela que se abriu? A janela de um novo mundo. Não digo isso por causa do isolamento social causada pela pandemia. Mas também por isso. Claro, ficar sozinho em casa, sem ter com quem comentar o dia a dia foi bem difícil no começo. Mas, aos poucos fui procurando formas de compensar esse vazio. Não digo preencher porque há espaços em nosso coração que nunca serão completados. Mas essa ausência pode ser abrandada. Comecei a passar mais tempo na cozinha. Na verdade, cozinho todo dia. Uso a minha imaginação e receitas da Rita Lobo para variar meus pratos. Passei a assistir mais séries e filmes na TV. Passei a ler até três livros ao mesmo tempo. Comecei a escrever estes textos o que, a princípio, era só uma forma de preencher o tempo e virou um blog por sugestão da minha sobrinha Tania Regina. Reforcei meus contatos antigos, num grupo de troca de experiências com a pandemia e hoje funciona como um espaço de interação com postagens de músicas, textos motivacionais, textos engraçados, curiosidades. Só não falamos de política para não dar confusão. Retomei os contatos com primas, primos e amigos e amigas que estavam geograficamente distantes. Estabeleci contato com uma tia da Viviane que nunca encontrei pessoalmente, com o primo da Viviane que só encontrei uma vez. E, afinal, com uma nova amiga de Florianópolis. Todas estas últimas coisas já contei em outro texto. E vou aguardando que outras janelas se abram aos poucos.

Enfim, um dia introspectivo não é, necessariamente, um dia triste. Hoje estou recordando boas lembranças e planejando o que vou fazer assim que for possível.

Escrito em 13/07/2022

2 respostas para “JANELAS FECHADAS E JANELAS ABERTAS

  1. Hoje tu me deixou muda.Tenho que parar para poder escrever com alguma coerência. Não adianta.Muda.Amanhã!! Amanhã te falo!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *