16 – Hoje eu estava observando as cuidadoras que ficam aqui no térreo durante o dia. Fiquei impressionado com a quantidade de gordinhas. Algumas só com sobrepeso, outras realmente obesas. Umas poucas esbeltas. Fiquei pensando se isso tem algo a ver com o trabalho. Será que ficam ansiosas por ter que cuidar de tanta gente dependente? Mais uma pergunta que deixo no ar…
17 – Hoje o jantar foi simplesmente caótico. O cardápio foi salada de alface e omelete de… alface!! Recebemos a tradicional sobremesa de gelatina quando alguns já se levantavam para sair, por julgar que não haveria sobremesa. E tivemos que comer com garfo, o que é quase impossível para muitos. E só depois que todos já tinham comido a gelatina, como foi possível, é que serviram o suco.
À tarde serviram pão francês no lanche. Era claramente amanhecido, pois estava uma verdadeira borracha, difícil de morder.
Hoje, antes do almoço, conversei bastante com o João Lins, com quem já havia conversado há poucos dias. Conversa difícil, pois ele fala bem baixinho e eu tive dificuldade para entendê-lo. Mas ele me contou, espontaneamente, algumas coisas. Tem 96 anos e mora aqui há três anos (?!?!). Teve duas farmácias, uma em Perdizes e outra na Vila Romana. Vendeu as duas, depois de ser assaltado 12 vezes. Disse que paga R$ 700,00 por mês (claramente impossível…).
Hoje o almoço foi terrível. Não pela comida, mas pela companhia. Ao meu lado uma senhora que não fala e só come comida pastosa., O problema foi com a vizinha de frente. Uma senhora que punha a comida na boca e cuspia no prato metade da garfada. Empurrava a comida para o garfo com a mão. Antes de acabar de comer a comida salgada já começou a comer a gelatina da sobremesa. Alguns pedaços da gelatina caíram no prato e ela comeu tudo junto. Pegou a salada de tomate e colocou no pote da gelatina, que já estava vazio. Empurrou os restos de comida, que ainda estavam no prato, com o guardanapo para pegar com o garfo. Acho até que ela acabou comendo um pedaço de guardanapo. Quando terminou, pegou o pote de tomate e entornou na boca, como se fosse suco. Passei o almoço quase todo com os olhos enfiados no meu prato, pois cheguei a sentir náusea. Desse em diante nunca me sentei na mesma mesa que ela.
Escrito em 18/07/2023
