O PALHAÇO

Meu nome é Walter. Minha profissão é ser Palhaço, mas também me considero ser Humorista, mas acho que é mais difícil ser palhaço. Primeiro, porque só trabalho disfarçado pela maquiagem extravagante e as roupas igualmente esquisitas. Quando me maquio e me visto de palhaço, deixo de ser Walter e passo a ser o Farofa. Ser humorista é um pouco mais fácil porque mesmo se eu tivesse, por exemplo, fazendo um stand up, ainda seria o Walter, mesmo que as pessoas estejam rindo de mim, do Walter. E todos reconhecem o humorista Walter, quando o veem na rua ou no shopping.

Ninguém reconhece o Walter na rua ou no shopping quando não está vestido de Farofa. Por outro lado, é difícil deixar de ser Walter e virar Farofa. Como Farofa, só posso demonstrar uma emoção, aquela que faz todos rirem, mesmo que o Walter esteja triste. Muitas vezes essa transformação é difícil e dolorida, mas tem que ser feita. Hoje é um desses dias. Seria aniversário do meu filho, que morreu há tanto tempo. A maquiagem está difícil, escorre pelas minhas bochechas como levada pelas minhas lágrimas. Mas não tem jeito, tenho que sufocar o Walter e me transformar em Farofa. Não é a primeira que tenho que fazer isso. Nessas horas recorro às palavras da minha amada esposa Carminha, sempre presentes num cartão preso ao meu espelho:

            “Sorria, mesmo que seu sorriso seja triste.

            Porque, mais triste que um sorriso triste,

            É a tristeza de não saber sorrir.”

Escrito em 20/01/2025

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