QUANDO O AMOR VENCE BARREIRAS

Estava aqui pensando com meus botões como ocupar um inesperado e indesejável tempo ocioso que se apresentou na minha vida e resolvi, entre outras coisas, tentar publicar com mais frequência algum texto aqui no blog. Poderão ser meus próprios textos ou outros que li e gostei. Poderão ser histórias, reais ou imaginadas. Poderão ser apenas reflexões próprias. Ou comentários sobre fatos do dia a dia. Ou um misto desses temas e minhas reflexões sobre eles. Quando forem histórias reais vou me abster de citar nomes, a menos que sejam pessoas e fatos de domínio público. Vou começar com um misto.

Uma vez fui passar as férias em Santos, a convite da família de uns amigos. Estávamos na faixa dos 17/18 anos. Nessa época era muito fácil fazer novas amizades e logo nos enturmamos com dois irmãos que também estavam de férias no mesmo prédio. Menina e Menino. Conversamos a tarde toda e combinamos nos encontrar na praia no dia seguinte. Pouco depois que a Menina e o Menino chegaram vimos um senhor transportando uma senhora tetraplégica numa cadeira de rodas. Enquanto o senhor armava dois guarda-sóis, a Menina e o Menino nos chamaram e nos apresentaram:

– Esta é minha Mãe e este é meu Pai.

– Muito prazer dona Mãe e muito prazer seu Pai.

Não sei se conseguimos disfarçar a surpresa de conhecer a Mãe, uma senhora muito sorridente, assim como seu Pai. Mas logo fomos passear e conversar na beirada da água. Na voltamos cruzamos com seu Pai, colocando uma cadeira de alumínio vazia onde as ondas se desfazem. Voltou ao lugar onde estava a dona Mãe, tirou suas botas e suas armações metálicas, pegou-a no colo e levou-a para a cadeira à beira d’água. Foi uma cena verdadeiramente emocionante. Essa amizade subiu a serra e logo fomos convidados para o aniversário do Menino. Foi incrível conhecer a casa da família, que o seu Pai tinha tornado acessível a dona Mãe. Pusemos no seu Pai o apelido de Prof. Pardal; as invenções dele dariam para vários dias de blog. Mas quero contar só o que é objeto deste texto, Passamos a frequentar a casa e um dia, não me lembro porque, dona Mãe resolveu contar a história do casal:

– Pai e eu éramos noivos quando eu fui atacada de paralisia infantil, a temida poliomielite. O diagnóstico foi terrível. Eu ficaria tetraplégica… Absorvido o choque inicial, chamei o Pai e lhe disse que estava dispensado do compromisso do noivado. Imediatamente ele respondeu.

– Sou seu noivo pelo que você é como pessoa e, não, pelo seu físico. Assim que você tiver alta e começar a fisioterapia, vamos marcar o casamento.

– Aqui estamos nós, vinte anos após, com dois filhos maravilhosos e saudáveis e um casamento muito feliz.

O amor vence barreiras!!

Minha Tia ficou noiva por mais de 10 anos. Claro que, durante esse tempo ela percebeu que o futuro marido tinha dois problemas que lhe trariam preocupação: ele era um fumante inveterado e alcoólatra. Tia e Tio tiveram três filhos de quem sou amigo e tenho contato diário com o mais velho. Enquanto teve saúde, Tio sempre arrumou a mesa para o café da manhã, para que quando Tia levantasse já encontrasse tudo pronto. Mesmo depois de aposentado e com as doenças progredindo, Tio continuou fazendo isso. Começava a beber e fumar até a hora do almoço. Depois dormia o resto do dia. Tio terminou seus dias deitado e ligado a um balão de oxigênio. Mas Tia cuidou dele até o fim.

O amor vence barreiras!!

Tia começou a namorar Tio. Quando o namoro ficou mais sério as irmãs de Tio foram conversar com Tia:

– O Tio é um boêmio e mulherengo. Você não deve casar com ele se não quiser sofrer.

Tia amava tanto Tio que resolveu casar assim mesmo. Não tiveram filhos e viveram juntos até que ele faleceu já em idade avançada. Nunca ouvi Tia reclamar de Tio.

O amor vence barreiras!!

Essa é a minha reflexão, com exemplos. Certamente, quem me lê terá outros exemplos.

10/06/2025

4 respostas para “QUANDO O AMOR VENCE BARREIRAS”

  1. Uma vez fui passar o final do ano no SESC em Lages, Santa Catarina. Estávamos em cinco amigas. Fizemos muitos passeios, Urubici, São Joaquim… e chegou a noite do réveillon. Lembro do cozinheiro vestido de chef de cozinha, cortando uma leitoa linda, uma fatia para cada pessoa. Um momento lindo do qual surgiram amizades que duram até hoje Minha amiga e um novo amigo viraram um casal nesta noite alegre. Foram felizes por muitos anos, na companhia um do outro. É sempre bom sair por uns dias da lida diária e ir para um lugar ameno onde ocorrem encontros e amizades novas e olhem… fez frio durante os passeios da excursão.

      1. Anna, o amor é o sentido da vida… Sem dúvida. Terrível é quando perdemos o ser amado. Fica um buraco difícil de preencher… Só escrever não é o bastante…

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