EXPLICAÇÃO: hoje eu deveria falar sobre a vacina, né? Mas foi tanto tempo acompanhando o assunto que me faltou inspiração para o blog. Prometo que amanhã vou abordar o tema vacina. Então estou republicando um dos poucos textos que me sobraram do antigo blog. Foi escrito em maio de 2016 e eu estava começando a criar a personagem – Joca – que eu pretendia usar em certos textos. Então ai vai Joca falando sobre O CIRCO MAMBEMBE.
Pois é, ontem foi Dia dos Pais e é inevitável que as lembranças do meu flutuem novamente nos meus sonhos de olhos abertos. Enquanto eu assistia a um jogo de futebol (Futebol??? Isso??) pelo Campeonato Brasileiro eu lembrava dos tantos jogos que eu vi ao lado dele. Neste domingo me veio à mente a história do circo mambembe. Tínhamos acabo de ver um jogo da UEFA e estávamos olhando uma partida do Brasileirão (quando ainda havia bons jogos). E ele começou:
– Joca, você já ouviu falar de circo mambembe?
– Pai, já ouvi a expressão mambembe, mas não tenho certeza se sei o que significa.
– Circo mambembe era um tipo de circo bastante comum nas cidades do interior e nos arrabaldes das cidades maiores. Tinham pouca estrutura. Uma lona pequena, arquibancas de madeira, alguns trailers onde moravam os artistas (troupe), algumas jaulas onde se guardavam animais injustamente anunciados como “feras”. O circo era transportado de maneira mais ou menos fácil e rápida, em função do sucesso ou insucesso em cada praça. O que manteve os circos ao longo dos séculos foi a habilidade e a genialidade dos seus artistas. Malabaristas, domadores, equilibristas, contorcionistas, mágicos, palhaços e outros. Cada um na sua especialidade, embora muitos exercessem mais de um papel. Era um mundo ao mesmo tempo duro e fantástico, alternando entre sonhos e desilusões. Alegrou tardes e noites de muita gente, como eu mesmo, que adorava ir ao circo.
Depois de um longo suspiro, meu encerrou:
– Pena que tudo isso acabou… você nem chegou a ver um circo mambembe…
Claro, logo perguntei:
– Que aconteceu, pai? Por que o circo sumiu?
– Não, Joca, o circo não sumiu. Ele se transformou. O que sumiu foram os circos mambembes, com suas troupes que trabalhavam por amor, quase em troca de casa e comida, em nome de tradições familiares. Hoje o circo se apresenta como um espetáculo plástico maravilhoso, amparado por produções milionárias, com estrutura profissional incomparável, empresas estruturadas, com orçamentos a cumprir e metas a serem atingidas. É a era do Cirque du Soleil. Os artistas trabalham com as mesmas técnicas milenares: mágicos, palhaços, trapezistas, etc. Hoje, no circo, talento ainda é fundamental, mas não basta. Os artistas precisam se reinventar, achar novas formas de usar seus talentos, treinar com afinco. São profissionais muito bem remunerados, em troca do espetáculo maravilhoso que entregam a um público muito exigente, todas as noites.
– Pai, acho que estou entendendo por que você me contou isso agora.
– Sim, Joca, você é bem esperto. O que acabamos de ver, a UEFA, é o Cirque du Soleil do futebol. Esse jogo medíocre que estamos vendo pelo Brasileirão, infelizmente, é o futebol brasileiro se tornando um circo mambembe…
Hoje, pensando na última Copa do Mundo no Brasil, e olhando a pobreza dos jogos que tenho assistido, fico pensando como meu pai era sábio e visionário em suas análises…
