TODOS OS DIAS SÃO IGUAIS

Como assim, todos os dias são iguais?? Essa pergunta pode ser respondida no formato atual: “São, só que não…”. Ou no formato antigo: “Depende”. Vou pelo “Depende”. Depende com que olhos você olha o dia.

Do ponto de vista astronômico, todos os dia são iguais. Começam às zero horas e terminam às 24 horas. Têm madrugada, manhã, tarde e noite. Tem Sol de dia, Lua e estrelas à noite. Mesmo assim, cada dia começa com o Sol e a Lua em posições e tempos diferentes.

Do ponto de vista meteorológico, os dias são mais variáveis. Chove, faz sol, faz calor, faz frio, venta, etc.

Mas existe uma forma de ver o dia do ponto de vista social. Você já deve estar pensando que é por esse caminho que vou. Acertou!!

Nessa pandemia passamos a ver os dias e nossa vida neles com uma nova perspectiva. Permita-me uma analogia. Com certeza você já machucou alguma parte do seu corpo. Digamos o dedão da mão esquerda; e cada vez que você usa o dedão, dói. Você pensa: “só porque está machucado eu uso toda hora”. Engana-se você sempre usou o dedão da mesma forma, mas nunca prestou atenção nisso. Pobre dedão…

Quantas coisas nos dias de hoje são como nosso dedão. Sempre estavam aqui e nós nunca demos valor. Vou fazer uma lista pessoal e parcial de tudo que estou descobrindo nesse isolamento social. Cada um faça a sua e pense sobre ela.

Olho pela janela da sala e vejo a massa de cimento de um edifício. Mas entre a janela e esse edifício, tem uma enorme copa de uma árvore. Com infinitos tons de verde que me surpreendem cada vez quer fico olhando. E um sem número de pássaros voam por essa copa e cantem de manhã e à noite.

Uma sirene toca na entrada do elevado, ou na saída para a av. Pacaembu. Antes eu pensaria: “que som desagradável”. Agora penso, será que ai dentro vai uma vitima da COVID sendo levada para o HC? Ou estarão indo buscar uma vítima de violência doméstica? Mas se a sirene é da polícia e fico torcendo para que não estejam indo atrás de algum roubo, assalto ou assassinato.

Dentro de casa me entretenho com as redes sociais, logo eu que já fui muito crítico do tempo que as pessoas ficavam no celular. Que bom ter família, amigos ou simples contatos que estão sempre preenchendo meu tempo com novas e interessantes mensagens. E que bom ter uma vizinha que acabou de me trazer um prato de bolo de banana (adoro!).

Enfim, se me sentar algumas horas todo dia poderia escrever mais e mais, com o risco de me tornar chato. Por isso vou parando por aqui, mas continuarei prestando atenção ao que me acontece sem que eu me desse conta. Preste atenção ao seu dedão e faça sua lista. Se quiser, pode compartilhar.

Escrito em 09/01/2021