Meire Belge D’Ávila. Esse era o nome inteiro dessa pernambucana arretada que foi minha colega de trabalho por muito tempo na ARMCO, meu primeiro emprego. Era de uma competência e assertividade inigualáveis, sem nunca perder a ternura. No início ela trabalhava no escritório da Rua Marconi, no centro de São Paulo; era o primeiro escritório da ARMCO em São Paulo, quando a sede da empresa era no Rio. Eu comecei na Vila Prudente na fábrica da COGERAL – Companhia Geral da Laminação – então recém-adquirida pela multinacional. Ela era responsável pelas viagens e transferências internacionais. Minha primeira lembrança dela foi quando fiz minha primeira viagem internacional de longa distância. Em 1976 fui participar de uma reunião na sede da empresa em Middletown, Ohio. Ela providenciou tudo: passagens, inclusive conexões, reserva de hotel, etc. E me colocou na 1ª classe de um DC10, da VARIG, então um avião moderníssimo, que estava começando a substituir os tradicionais Boeing 707. Mas o que mais me marcou foi a surpresa que a Meire me proporcionou na volta. Quando sai do desembarque encontrei a Heleninha com o Mauro, de poucos meses, no colo. E a Meire ao lado para dar apoio.
A segunda coisa que me vem à memória foi quando um diretor foi chamado para uma reunião no Escritório Central da ARMCO. Ele resolveu levar a esposa e emendar com as férias. Não sei por que, ele dispensou o serviço e resolveu tomar todas as providências sozinho. Para resumir, na hora do embarque a esposa não pode ir porque não tinha tirado o visto norte americano… Adivinha quem resolveu o problema e fez com que a esposa viajasse no dia seguinte? A Meire…
Mas a melhor vem agora. Chegou um americano para assumir a Gerência de Laminados. O Daniel (Dan) Carter. O Dan era uma pessoa muito sisuda e agressiva. O único sinal que ele dava de um certo calor humano era ir todo vestido de verde no dia de Saint Patrick. Já esposa, a Gretchen, era uma simpatia. Dava gosto participar das reuniões na casa deles. Ela chegou grávida do terceiro filho e resolveu fazer o parto no Brasil. Ficou encantada com a atenção recebida. Dizia que nos Estados Unidos não teria recebido um décimo da atenção que teve aqui. Ficou tão feliz que acabou tendo um quarto filho genuinamente brasileiro. Passaram-se alguns anos e chegou o momento da repatriação do Dan Carter. Eles resolveram embalar a maior parte da mudança e despachar com antecedência. O Dan foi antes e a Gretchen ficou com as crianças para as últimas providências. Até que chegou o dia do embarque e… os passaportes das crianças já tinham ido com a mudança. E, sem os passaportes, as crianças só poderiam embarcar com ambos os pais. Era um sábado… E Dan já estava nos Estados Unidos. Não lembro como, mas a Meire conseguiu que todos embarcassem com apenas dois de atraso.
Assim era a querida Meire. Há poucos dias recebi uma mensagem de alguém que não conheço, mas com certeza era um ex-funcionário da ARMCO, informando que a Meire tinha falecido. Então me vieram à mente tantas boas lembranças dela, além dessas que contei. Meire, que você tenha conseguido um ótimo lugar no céu.
Escrito em 22/01/2022
