Quando trabalhei como revisor aprendi que a revisão não pode ser feita por quem escreveu o texto. Como não tenho revisor deixo passar algumas horas, releio o texto e faço as correções; não são poucas as vezes que preciso corrigir. Ontem, ao revisar meu texto sobre o mundo que vejo pela minha janela, tive um déjà vu. Pensei o que seria isso e lembrei de uma poesia de um dos meus poetas preferidos, Fernando Pessoa. Meu subconsciente foi buscar inspiração lá nas suas profundezas. Então, aqui vai meu tributo a ele, aqui sob o pseudônimo de Alberto Caieiro:
Da Minha Aldeia
Da minha aldeia vejo
quanto da terra se pode ver
no Universo…
Por isso a minha aldeia
é tão grande como outra
terra qualquer
Porque sou do tamanho
do que vejo
E não, do tamanho
da minha altura…
Nas cidades a vida
é mais pequena
Que aqui na minha casa
no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas
fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte,
empurram o nosso olhar
para longe e todo o céu,
Tornam-nos pequenos
porque nos tiram o que os
nossos olhos podem nos dar,
E tornam-nos pobres porque
a nossa única riqueza é ver.
Escrito em 07/05/2022
