QUERIDO DIÁRIO – dia 6

Há poucos dias um jovem fisiculturista de 22 anos morreu. Inicialmente tida como morte natural. Depois da autópsia, chegou-se à conclusão de que foi um problema de coração, já existente, agravado pelos anabolizantes tomados para aumentar a musculatura. Culpou-se o personal trainer que indicou esses anabolizantes e suplementos alimentares. Vez ou outra aparecem notícias de mortes durante “procedimento estético”. Culpa-se a pessoa que fez o procedimento sem ser habilitada. Nenhum órgãos de fiscalização da área da saúde foi considerado culpado. Mas há um grande culpado que poucos consideram. É o culto da aparência. Cada vez mais pessoas valorizam o físico, usando roupas e fazendo dancinhas com roupas que evidenciam esse físico (artificialmente) desenvolvido. Há pais que se orgulham de ver suas filhas e seus filhos em imagens viralizadas que geram milhões de likes e agregam milhares de seguidores. Então são culpados todos os que curtem os tik tok’s da vida, onde quem gosta de ver esses corpos tem muita diversão. Claro que tem que haver fiscalização das academias e das “clínicas de estética”. Já a educação dos jovens para não valorizarem o físico em detrimento do cérebro é um assunto para educadores e especialistas da área social.

QUERIDO DIÁRIO – dia 7

O brasileiro é intenso. Tudo bem… nem todos, para cumprir a regra. Mas somos intensos em tudo que fazemos. Para o bem ou para o mal. Por exemplo do mal: forma criados dois grupos do crime organizado, altamente eficazes. O PCC e o CV. Felizmente o brasileiro é intenso em muita coisa boa. Uma delas é o esporte. Quando gostamos de um esporte, de um equipe ou de um atleta, facilmente passamos de “ter interesse ” a “fanáticos”, passando por “torcedor roxo”. Estava pensando nisso enquanto via o jogo do nosso garoto João Fonseca. Acompanho o tênis com interesse desde a época da Maria Ester Bueno, passando por outros grandes nomes de destaque, como o Guga Kuerten. Mas raramente encontrava com pessoas para conversar sobre tênis. E agora surge o João Fonseca. A torcida brasileira já tem alguns que atingiram o nível de “fanáticos”. Nas arquibancadas já se veem muitas bandeiras do Brasil e gente com a camisa da seleção, sem conotação política. E vamos trazendo a torcida do futebol para o tênis. Desafiando protocolos seculares e não escritos do esporte. Cantam, dançam, fazem barulho atrapalhando o jogo. Vamos ver no que vai dar essa intensidade. Da minha parte só tenho a dizer “Vai João!!”

QUERIDO DIÁRIO – dia 5

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Essa expressão tão popular, usada em qualquer dilema, tem resposta de acordo com a visão de cada um. Embora a ciência afirme que foi o ovo, eu, na minha lógica fria, digo que foi a galinha. Afinal, a galinha pode por um ovo e chocar para dar origem a outra galinha. Já o ovo, não pode dar origem a uma galinha a não ser se… chocado por uma galinha… . Tudo isso para contar por que comecei a publicar aqui. Onde está meu dilema? Só ler, ou escrever também? Entendo que a leitura vem antes, mas também, a partir das minhas leituras, adquiri a capacidade de escrever. Sempre gostei muito de ler e de escrever, mas nunca havia pensado em divulgar o que escrevia. Há cinco anos montei um blog para divulgar meus escritos entre um grupo de amigos e familiares (paponavaranda.blog.br) e fiquei nisso. Até que conheci a Substack. Fiquei agradavelmente surpreendido ao perceber que não havia limites de tamanho e assuntos. E, acima de tudo, não apareciam haters. Textos de alto nível e eventuais críticas ou discordâncias são emitidas com respeito. Logo nas primeiras leituras, vi alguém dizer que escrevia não para os outros, mas para expressar um sentimento ou uma visão. Ou alguma coisa nesta linha. Escrevo isso para incentivar outros novatos na plataforma que estejam hesitantes como eu estava.

QUERIDO DIÁRIO – dia 4

Estava com uma ideia para registrar aqui. Pedi à IA algumas informações e fui surpreendido com o resultado. Tive que mexer um pouco no que ia escrever. Mas o resultado final é o mesmo. Perguntei quando “A Voz do Brasil” tinha acabado. Os leitores mais novos não vão saber do que se trata, mas a própria resposta da IA já esclarece minha dúvida e traz esse pessoal mais novo para a mesma página.  “A Voz do Brasil” não acabou. É o mais antigo dos programas radiofônicos do Brasil. Foi criado em 1935. É um programa oficial para divulgação de notícias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Sua transmissão é obrigatória, no horário das 19h às 20h. Aí está a explicação para minha dúvida. Faz pelo menos 30 anos que não ouço rádio nesse horário. Sinal dos tempos…Bem, nesse programa havia um momento diário em que a Marinha do Brasil divulgava o “Aviso aos Navegantes”. Descobri também que esse aviso agora é quinzenal. Afinal, para que servem os satélites? As informações eram do tipo: “boia na localização XX, apagada”, “farol no Cabo YY, intervalo alterado para 15 segundos”. E os capitães dos navios usavam essas informações para navegar com segurança. Mas, às vezes, o locutor dizia: “Aviso aos Navegantes: hoje não há aviso”. Achava isso muito esquisito. Só fui entender o porquê desse aviso ao comentar com um diretor da empresa onde comecei a trabalhar. Esse tipo de aviso era necessário para os capitães não pensassem que haviam esquecido ou que eles não tinham ouvido. Interessante constatar que, às vezes, o óbvio não é tão ululante. Tudo isso para dizer que quando eu não conseguir anotar alguma coisa num determinado dia, escreverei “HOJE NÃO TEM TEXTO NOVO”.

QUERIDO DIÁRIO – dia 3

(obrigado à IA pela ajuda)

Na Idade Média a expectativa de vida humana era entre 40 e 50 anos, mas são dados imprecisos. No Brasil, a expectativa de vida atual é de 76,6 anos. Passou de 36,5 anos em 1930 para 69,9 anos em 2000. Essa tendência de crescimento tem caráter mundial. Ou seja, o ser humano continua na busca da eterna juventude e do elixir da imortalidade. Por isso a expectativa de vida tem aumentado ao longo dos séculos. Não é porque achamos a Fonte da Juventude. É porque tem havido grande desenvolvimento da medicina, dos cuidados com a saúde, das diversas tecnologias de prevenção de doenças (como as vacinas, que eliminaram algumas doenças e controlaram outras, como na recente pandemia de COVID-19). Mas (sempre tem um “mas”…) agora nos deparamos com uma das consequências desse avanço. Quem atinge a idade de 60 anos tem pelo menos mais uns 20 anos de vida. Que vida? Vale a pena viver mais, se sentindo um peso para a família? Ou isolado? Ou numa cama? Ou se sentindo inútil? Por isso, alguns estudiosos estão chegando à conclusão que não basta envelhecer. Tem que envelhecer com Qualidade de Vida. Qualidade de Vida depende de inúmeros fatores. Alguns precisam ser equacionados imediatamente, pois seu efeito demora a se fazer sentir. Na visão de quem já está estudando o assunto (e estas questões não são privilégio do Brasil) é urgente reformular a Previdência Social e o Sistema de Atenção à Saúde. Para isso é imprescindível a mobilização da Sociedade como um todo. Com certeza voltarei ao assunto diversas vezes.

QUERIDO DIÁRIO – dia 2

Como tudo na vida, em cada visão existe um lado positivo e outro negativo. Não podemos simplesmente ignorar o lado negativo porque este serve para melhorar aquele. Hoje vou olhar para um aspecto da TI – Tecnologia da Informação. Refiro-me aos aplicativos, também chamados de app. Não há dúvida de que este é um recurso que facilita muito nossa vida. Existe uma infinidade de app’s extremamente úteis no nosso dia a dia, para facilitar que tudo seja feito rapidamente como exige a vida moderna. Qual é o lado negativo dos app’s? Prende-se ao fato que estamos vivendo uma era de transição. Alguns nasceram na época digital, outros na época analógica. Estes últimos têm aprendido a se adaptar às novas tecnologias. O que nem sempre é fácil e rápido. Mas os desenvolvedores dos app’s esquecem do público que tem que se virar para usar a nova tecnologia. Estou me referindo aos analógicos seres humanos que já passaram dos 60 anos. E a dificuldade é maior no uso dos app’s de bancos, assistência médica, prestadores de serviço e órgãos governamentais. Cadastrar uma conta, acessar informações e resolver algum problema exige até dias para resolver um assunto que teria sido planejado para ser rápido. O atendimento “humanóide” não prevê o que fazer quando a questão não se encaixa num padrão ou quando a tecnologia não é acessível a um celular antigo ou, até mesmo, a pessoa não ter um celular. A solução desses problemas seria fácil usando o “atendimento humanizado”. Será que os desenvolvedores não conseguem ver a floresta de cima e enxergar as árvores de exigem atenção diferenciada?

QUERIDO DIÁRIO – dia 1

E vamos começar o Diário. Não sou saudosista, no sentido de “antigamente era melhor”. O que vou comentar é a diferença entre “como era” e “como é”. Sem juízo de valor. Outro dia formam divulgados os nomes dos 26 jogadores da seleção brasileira que vão para a Copa do Mundo, que começa o mês que vem. Foi apresentado um show midiático. Não dá para comparar, pois antigamente a convocação era sabida pelos jornais do dia seguinte. Mas o que faz tempo que estou observando é que aos poucos o futebol vai se tornando um grande negócio. Eu não sei o número, mas só de patrocínios, não só na Copa do Mundo, deve rolar alguns bilhões de dólares. Quando os Estados Unidos investem no desenvolvimento do esporte, num país em que o esporte é marketing (no futebol deles, no basquetebol, no baseball e até no golfe), é porque enxergaram que belo negócio é. Quando a FIFA começou a estimular os campeonatos africanos, asiáticos eu não entendi. Agora entendo. Teremos a Copa do Mundo com maior número de competidores, disputada nos três países da América do Norte. Hoje os jogadores são contratados a peso de ouro, ganham salários inimagináveis, os campeonatos são uma grande vitrine para expor os patrocínios. Quando uma camisa oficial da nossa (?) seleção custa R$ 700,00 eu fico me perguntando e o futebol? Bem, quem quiser saber mais sobre o esporte, sugiro que visite o Museu do Futebol.

QUERIDO DIÁRIO – dia 0

Já vou explicar o que é isso. A inspiração para este diário veio de uma sugestão da minha “quase prima” de Pindamonhangaba, Luiza Helena. É quase prima porque ela chama minha tia Nindá de “vó Nindá” e meu tio Ney, de “vô Ney”. Numa dessas conversas ela sugeriu que eu desse mais visibilidade ao Papo na Varanda. A plataforma onde o blog mora, WordPress, sempre me oferece a possibilidade de ter um site mais comercial. Numa conversa com a Luiza Helena eu estava me queixando que estava desanimado porque aos 79 anos, internado num Residencial para Idosos, longe da família e dos amigos, não estava vendo sentido na minha vida. Comecei a pensar em juntar várias coisas. A sugestão da Luiza Helena, as ofertas da WordPress, o formato de um site que estou seguindo (substak.com) e meu gosto por escrever. Para dar mais visibilidade ao blog é preciso ter novos posts com certa constância. E isso faria que eu tivesse mais coisas para preencher meu imenso tempo. Estou dando meu primeiro passo. Ser mais constante e, talvez até publicar diariamente. Para isso não vou usar dicas da minha amiga Gui-Gui (ver post Minha Amiga Gui-Gui). Vou experimentar escrever posts curtos, falando sobre diversos assuntos. Este diário vai estar dentro do blog. Não vou avisar todo dia. Quem quiser ver é só usar “paponavaranda.blog.br”. Só vou avisar quando publicar um texto normal. No final cada texto tem um espaço para comentários. Podem usar à vontade. Sugestões, críticas (construtivas..), opinião, etc.

INVEJA BOBA

Chamo de inveja boba aquela inveja positiva (quando queremos ter alguma qualidade parecida com a pessoa invejada) e boba por que não sabemos o sentimento da pessoa invejada. É o que vou contar a seguir.

No início dos anos 1960 fui ao casamento de uma prima, em Pindamonhangaba. Não pergunte qual prima; é pedir demais para minha memória. Bem, o casamento foi comemorado com uma festa-baile no Clube Literário. Eu estava por volta dos meus catorze anos e só havia uma menina na mesma faixa etária. Era a Vera Regina. Logo fizemos amizade e dançamos um pouco. Não sei se era parente pelo lado do meu pai ou se eram amigos antigos da família. O fato é que os pais dela, Cloé e Bruno, estavam lá. No dia seguinte, ao nos despedirmos para a volta a São Paulo, os pais me convidaram para ir à casa deles, na rua Albion, na Lapa. Depois de um tempo peguei um ônibus e fui. Foi o começo de uma gostosa amizade. Não, nunca rolou um namoro. Era pura amizade. Tínhamos intermináveis conversas e eu admirava muito o jeito dela falar. Quando fez 15 anos o pai editou um livro com as poesias dela. Intitulado “Minha Lira aos Quinze Anos!”. Fiquei maravilhado! Como eu gostaria de escrever poesias assim (aqui aparece minha Inveja Boba). Tenho esse livro até hoje, com dedicatória para minha mãe, datada de 1964. E nas minhas inúmeras mudanças sempre me lembro da Vera Regina, ao embalar meus livros.

Um pouco mais tarde ela começou a namorar o Douglas, com quem viria se casar. Eu comecei a fazer engenharia em São Bernardo do Campo. Assim cada um fez seu caminho. Passaram-se mais de trinta anos. Há cerca de uns dez anos fui ao coquetel de lançamento do livro do meu primo Armando. E adivinha quem aparece por lá? Isso mesmo. A Vera Regina e o Douglas! Foi um encontro como se tivéssemos nos despedindo no dia anterior. Como toda boa amizade. A conversa estava bem animada, quando me lembrei do livro e disse:

– Vera, ainda tenho seu livro.

E ela respondeu:

– Paulo, nem me fale desse livro… Foi ideia do meu pai, para me fazer uma surpresa. Mas eu detestei ter minhas poesias divulgadas. Era como expor meu intimo ao mundo. Nem posso ouvir falar sobre ele.

Fiquei muito surpreso e encerrei o assunto por ali mesmo. Esta é minha Inveja Boba. Ter inveja de alguma qualidade de uma pessoa sem saber se ela está satisfeita com isso. Realmente, ainda tenho o livro, que peguei para arrumar minha estante depois da minha última mudança. Talvez um dia desses eu publique uma poesia dela. Lembrei desta história e senti saudade da Vera Regina.

Escrito em 25/03/2021

PS

Dois ou três dias depois de escrever este texto, minha irmão Maria Sylvia me contou que a Vera Regina tinha acabado de morrer, segundo uma publicação da filha dela….

URDU

Quando ainda filhote, Urdu era um ursinho diferente de seus contemporâneos. Sempre disposto para brincar com os amiguinhos, exercia uma certa liderança no grupo porque estava sempre dando ideias para novas brincadeiras. Ele gostava muito de estar com os amigos porque tinha duas irmãs que se dedicavam a outro tipo de atividades. As leoas mães de seus amiguinhos sempre o convidavam para passeios. Os leões pais de seus companheiros de brincadeiras muitas vezes o convidavam para as aulas de caça, luta e farejo. Sempre aceitava, por duas razões. Primeiro, porque era muito tímido e tinha vergonha de pedir aos leões que o ensinassem essas coisas. Segundo porque seria normal aprender essas coisas com seu pai Urda, mas este tinha sido abatido por caçadores quando Urdu tinha apenas dois meses. Cabia aos pais ensinar aos filhos o que fosse necessário para se tornarem machos alfa. Ao longo de sua vida aprendeu um pouco com seus amigos, mas faltou muita coisa que lhe fizeram falta em momentos importantes de sua vida. Apesar disso sentia que era feliz com a vida que levava.

E chegou à idade do acasalamento. Foi o primeiro momento em que Urdu sentiu muito a falta do pai. Como escolher uma fêmea para acasalar? Como fazer com que uma fêmea achasse que valeria a pena acasalar com ele? Essas dúvidas, aliadas à sua timidez, faziam que ele ainda estivesse “solteiro” quando a maioria dos seus amigos já estava usando suas habilidades reprodutivas. Ele tinha vergonha de se aproximar das meninas da alcateia porque ou eram amigas das suas irmãs ou eram irmãs dos seus amigos. A única preocupação de Urdu nesse assunto era o caráter poligâmico dos leões. Se tinha dúvida sobre o acasalamento com uma leoa, que dirá com várias. Estava nessa indecisão quando uma nova família se juntou ao seu grupo. Nesse grupo estava Homa, uma leoazinha que chamou a atenção de Urdu. Bonita, jeitosa e brincalhona como ele. Nos jogos juvenis em que entravam os dois sempre se destacavam. Aos poucos Urdu começou a sentir algo diferente nessa amizade. Será isso que é o desejo de acasalar?

Resolveu convidar Homa para seu primeiro acasalamento. Ela prontamente aceitou. O que ele não sabia, e nem ela contou, é que ela já havia acasalado com outro leãozinho, da alcateia de onde vinham. Ele percebeu. Ela também percebeu sua inexperiência. Mas nunca falaram sobre isso. Por causa disso seu relacionamento sempre foi frio e distante. Mas, apesar disso, resolveram ficar juntos e parir filhotes. Logo que se passaram os quatro meses da primeira (e única) gravidez, Homa deu à luz dois leõezinhos. Foi uma festa na alcateia, principalmente dos amigos do Urdu, que conheciam bem as suas dificuldades com as fêmeas. Eram todos muito felizes. Enquanto Homa amamentava, eles se revezavam nos cuidados com os filhotes. Urdu normalmente saia para caçar enquanto os bebês mamavam. Mas, vez por outra, ele ficava tomando conta dos meninos e ela saia para caçar e relaxar um pouco. Quando os filhotes começaram a aprender a caçar, Urdu é que os ensinava. Mas, nessas aulas a caça era pouca ele saia outras vezes sozinho para reforçar a alimentação. Nessas caçadas encontrava leões e leoas de sua própria alcateia e de outras da região. Num desses encontros, Urdu sentiu o impulso biológico da poligamia e, depois de um tempo, acabou acasalando com uma leoa que conhecera numa dessas ocasiões.

Voltou para casa quieto, sua cabeça balançando, entre Homa e os filhotes, e impulso biológico a que cedera. Home percebeu algo diferente no jeito do Urdu. Depois de um tempo resolveu ter uma conversa com ele, para saber o que estava acontecendo. E tudo veio à tona. Homa falou que entendia muito bem qual era o instinto dos leões. Mas que havia um acordo tácito de que eles constituiriam uma família diferente e ele não cumpriu. Por isso ela não queria que os filhos crescessem tendo ele como modelo. Ele deveria sair da alcateia. Urdu concordou muito a contragosto. Era mais importante a convivência dos filhotes com  a mãe do que com o pai. Só pediu a ela que ele ficasse por perto até que eles aprendessem a caçar sozinhos. Concordaram e assim fizeram. No dia em que os filhotes fizera sua primeira caçada sozinhos, Homa chamou Urdu e disse que era hora de ele ir.

Ele se despediu dos meninos e pensou que passaria a vida toda pagando por um erro, que nem era exatamente um erro, e não tinha nada a ver com os meninos. Por isso tomou uma decisão drástica. Ficou meses perambulando pelas savanas até identificar um grupo de caçadores que buscavam animais para um zoológico e não para caça. Aproximou-se sorrateiramente e se deixou capturar. Esse foi o jeito que encontrou para ficar isolado, sem ter chance de quebrar a promessa de nunca mais ver os meninos.

Terminado em 13/05/2026