Ontem à noite eu estava olhando a internet para achar mensagem de boa noite. Um texto e uma mensagem carinhosa. Para relembrar minhas amigas e meus amigos que penso neles ao menos uma vez por dia. Geralmente escolho imagem de pôr do sol. E aí pensei como escolhi o nome do meu blog. Queria que fosse um espaço em que me sentisse como vendo o pôr do sol e batendo um papo na varanda. O pôr do sol tem muitos significados. Mas, para mim, é o momento de descansar das atribulações do dia a dia e renovar as energias para o dia seguinte. A mensagem é realmente de renovação. Se for colocada uma máquina fotográfica fixada num mesmo pôr do sol, disparando todo dia no mesmo horário, nunca haverá duas fotos iguais. Às vezes a diferença saltará aos olhos, às vezes será preciso olhar com muita atenção. Assim é nossa vida, se renovando a cada dia. E pensei: como a vida seria chata se a Terra fosse plana…
QUERIDO DIÁRIO – dia 10
Há poucos dias escrevi um texto afirmando que o brasileiro é intenso. Hoje tenho a confirmação dessa nossa característica. E também a correta conclusão de uma pesquisa internacional. O brasileiro é otimista; o brasileiro é feliz. Entendo que estas duas características andam de mãos dadas. Por que estou dizendo isso? Hoje quase todos os noticiários da TV aberta estão dedicando a maior parte de suas notícias à estreia da seleção na Copa do Mundo da FIFA. Tanto no Brasil, como em Nova Yorque, uma unanimidade: nossa seleção vai ganhar só, varia o marcador. Sou Brasileiro, mas meu índice de otimismo deve estar um pouquinho abaixo da média. Só para lembrar. Nosso retrospecto com Marrocos registra duas vitórias nossas, um empate e uma vitória deles. O último confronto foi um amistoso em 2023, com vitória deles por 2×1. Na última copa do mundo, 2022, só caiu para a França nas semifinais. Claro que vou torcer pela nossa canarinho. Só espero que, ao fim jogo, estejamos para cá de Marrakech.
QUERIDO DIÁRIO – dia 9
Interessante observar como nosso cérebro trabalha. Mesmo que não entendamos como faz certas coisas. Durante tantos anos de trabalho na área de RH, ouvi diversas vezes consultores ligados à motivação para o trabalho dizer que “se você trabalha no que gosta você não tem emprego, tem lazer”. Com outras palavras, mas sempre com o mesmo sentido. E eu queria encontrar uma frase que expressasse essa ideia, com fácil memorização. Bem, me aposentei e essa ideia foi para o arquivo morto. Até que comecei uma amizade com uma colega aqui mesmo no substack, com a qual comecei a trocar comentários sobre nossas publicações. Logo nas primeiras mensagens ela comentou que, entre outras coisas, trabalhava como confeiteira. E mostrou uma fotografia com algumas das guloseimas que oferece ao mercado. Elogiei e disse que me deu até água na boca. E ela me falou que essa atividade era mais um prazer, porque gosta das coisas que faz. E aí o cérebro fez um “pop up” como se diz hoje em dia. E frase veio, assim: “SE VOCÊ FAZ O QUE GOSTA, VOCÊ GOSTA DO QUE FAZ”. É isso. Não sei se é original. Mesmo que seja não vou reivindicar propriedade intelectual.
QUERIDO DIÁRIO – dia 8
Comecei a escrever estes textos curtos, diferentemente do que fazia no blog, motivado por um texto que li quando ainda estava conhecendo o Substack. Acho que era do Leitor. Provavelmente com outras palavras, dizia que escrevia porque gostava de expressar seus pensamentos. Não era seu objetivo agradar alguém. Se alguém lesse e gostasse seria mais do que esperava. E começaria a fazer isso neste espaço, sem limite do tamanho do texto e sem o risco de ser atacado por haters. Decidi abandonar o padrão do blog e passei a escrever textos curtos, menos elaborados, como se fossem folhas de um diário, colocando-me na obrigação de fazer um texto por dia. Ontem eu notei que o cachimbo tinha entortado minha boca… Em poucos dias estava fazendo exatamente o contrário do que tinha me motivado a estar por aqui. Comecei a hesitar sobre o que escrever, para agradar a quem me lesse. E caiu a ficha! Primeiro, o assunto a tratar tem que surgir espontaneamente. Segundo, quero escrever para agradar ao meu gosto pela escrita, desde a juventude. Se agradar a quem ler será lucro puro. Espero que, ao longo de cada dia, surja um assunto que me desperte a atenção.
03/06/2026
O LIXEIRO
Jogávamos muita bola na rua, no final dos anos 50 e início dos 60. A rua era nosso campo de futebol. Afinal, passar um carro era quase um acontecimento. Mais de dois carros ao mesmo tempo, só quando vinha um enterro. Nossos “grandes” problemas eram as vizinhas e a polícia. Morava-se em casas, quase todas com seu jardim e as plantas eram o xodó dessas vizinhas. Quando a bola caia em algum desses jardins, muitas vezes estragavam alguma plantinha. Tínhamos que ser rápidos. Pular o muro, pegar a bola e pular o muro de volta par a rua. Quando a dona da casa era mais rápida, adeus bola e fim do jogo. Se o estrago era grande, a bola só voltava furada. E a polícia? Até hoje não sei por que era proibido jogar futebol na rua. Quando aparecia o fusquinha branco e preto da Rádio Patrulha, era um Deus nos acuda. Corríamos para esconder a bola e ficávamos sentados na porta de alguma casa, fingindo que só estávamos ali conversando. Os rostos afogueados e suados eram a prova do “crime”, que os policiais pareciam não notar. Às vezes a RP chegava despercebida e… “tchau bola”. Mais um jogo chegava ao fim antes do tempo regulamentar. Estranhamente essa bola aparecia após alguns dias, “esquecida” em algum jardim da redondeza. Foi nesse espaço futebolístico que apareceu o Milton. Era um pouquinho mais velho que nós. Ele não era morador da Rua dos Parecis ou redondezas. Também não era nosso colega de escola. Ele entrou na turma por causa do seu trabalho. Milton era… lixeiro! Tudo começou quando o caminhão de lixo trafegava lentamente e as latas de lixo eram esvaziadas na sua caçamba. Enquanto o caminhão passava, fazíamos a parada regulamentar de segurança. Numa dessas vezes, o Milton “roubou” a bola, fez umas embaixadinhas, devolveu a bola para a turma e continuou correndo atrás do caminhão. Mais tarde, saindo do serviço, ele parou para assistir ao jogo que corria solto. Logo alguém lembrou das embaixadinhas e o convidou para entrar no time. Não precisou fazer o segundo convite. Lá estava o Milton, entrosadíssimo com o time e com a turma. Quando os pais souberam da nova “aquisição” do grupo, ficaram de cabelo em pé. Passaram a vigiar de perto essa novidade. Afinal, era um lixeiro! Nós não sabíamos o nome inteiro dele, nem onde morava, nem o que fazia quando não estava trabalhando ou jogando bola. Aos poucos ele começou a aparecer também nos fins de semana, não para jogar futebol, mas apenas para estar com a turma e jogar conversa fora. Nós não estávamos preocupados com outra coisa que não a habilidade como jogador e a alegria da sua conversa. E também tínhamos uma ponta de inveja inocente, na pureza do começo da adolescência: o Milton trabalhava, enquanto todos nós só estudávamos! Pouco nos importávamos com o tipo de trabalho dele. Essa convivência durou alguns meses. De repente o Milton sumiu. Teria saído do emprego? Teria mudado de endereço? Teria morrido? Nunca soubemos. Mas ele deixou, por muito tempo (para mim, é claro, até hoje), uma lembrança forte. Era uma pessoa à frente do seu tempo. Antecipou-se em pelo menos 40 anos à hipocrisia de usar expressões sofisticadas para disfarçar nossos preconceitos. Nessa época, negro ainda não era “afro descendente”; deficiente físico não era “pessoa com necessidades especiais”; cego não era “deficiente visual”, etc., etc… Mas o Milton já sabia se proteger. Quando alguém de fora da turma perguntava no que ele trabalhava, ele respondia, com orgulho e muita dignidade: “Sou Funcionário da Limpeza Pública”. Para nós ele sempre foi Milton. Lixeiro. Só.
Escrito em 20/02/2008
Publicado em 30/07/2021
Republicado em 01/06/2026
QUERIDO DIÁRIO – dia 6
Há poucos dias um jovem fisiculturista de 22 anos morreu. Inicialmente tida como morte natural. Depois da autópsia, chegou-se à conclusão de que foi um problema de coração, já existente, agravado pelos anabolizantes tomados para aumentar a musculatura. Culpou-se o personal trainer que indicou esses anabolizantes e suplementos alimentares. Vez ou outra aparecem notícias de mortes durante “procedimento estético”. Culpa-se a pessoa que fez o procedimento sem ser habilitada. Nenhum órgãos de fiscalização da área da saúde foi considerado culpado. Mas há um grande culpado que poucos consideram. É o culto da aparência. Cada vez mais pessoas valorizam o físico, usando roupas e fazendo dancinhas com roupas que evidenciam esse físico (artificialmente) desenvolvido. Há pais que se orgulham de ver suas filhas e seus filhos em imagens viralizadas que geram milhões de likes e agregam milhares de seguidores. Então são culpados todos os que curtem os tik tok’s da vida, onde quem gosta de ver esses corpos tem muita diversão. Claro que tem que haver fiscalização das academias e das “clínicas de estética”. Já a educação dos jovens para não valorizarem o físico em detrimento do cérebro é um assunto para educadores e especialistas da área social.
QUERIDO DIÁRIO – dia 7
O brasileiro é intenso. Tudo bem… nem todos, para cumprir a regra. Mas somos intensos em tudo que fazemos. Para o bem ou para o mal. Por exemplo do mal: forma criados dois grupos do crime organizado, altamente eficazes. O PCC e o CV. Felizmente o brasileiro é intenso em muita coisa boa. Uma delas é o esporte. Quando gostamos de um esporte, de um equipe ou de um atleta, facilmente passamos de “ter interesse ” a “fanáticos”, passando por “torcedor roxo”. Estava pensando nisso enquanto via o jogo do nosso garoto João Fonseca. Acompanho o tênis com interesse desde a época da Maria Ester Bueno, passando por outros grandes nomes de destaque, como o Guga Kuerten. Mas raramente encontrava com pessoas para conversar sobre tênis. E agora surge o João Fonseca. A torcida brasileira já tem alguns que atingiram o nível de “fanáticos”. Nas arquibancadas já se veem muitas bandeiras do Brasil e gente com a camisa da seleção, sem conotação política. E vamos trazendo a torcida do futebol para o tênis. Desafiando protocolos seculares e não escritos do esporte. Cantam, dançam, fazem barulho atrapalhando o jogo. Vamos ver no que vai dar essa intensidade. Da minha parte só tenho a dizer “Vai João!!”
QUERIDO DIÁRIO – dia 5
Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Essa expressão tão popular, usada em qualquer dilema, tem resposta de acordo com a visão de cada um. Embora a ciência afirme que foi o ovo, eu, na minha lógica fria, digo que foi a galinha. Afinal, a galinha pode por um ovo e chocar para dar origem a outra galinha. Já o ovo, não pode dar origem a uma galinha a não ser se… chocado por uma galinha… . Tudo isso para contar por que comecei a publicar aqui. Onde está meu dilema? Só ler, ou escrever também? Entendo que a leitura vem antes, mas também, a partir das minhas leituras, adquiri a capacidade de escrever. Sempre gostei muito de ler e de escrever, mas nunca havia pensado em divulgar o que escrevia. Há cinco anos montei um blog para divulgar meus escritos entre um grupo de amigos e familiares (paponavaranda.blog.br) e fiquei nisso. Até que conheci a Substack. Fiquei agradavelmente surpreendido ao perceber que não havia limites de tamanho e assuntos. E, acima de tudo, não apareciam haters. Textos de alto nível e eventuais críticas ou discordâncias são emitidas com respeito. Logo nas primeiras leituras, vi alguém dizer que escrevia não para os outros, mas para expressar um sentimento ou uma visão. Ou alguma coisa nesta linha. Escrevo isso para incentivar outros novatos na plataforma que estejam hesitantes como eu estava.
QUERIDO DIÁRIO – dia 4
Estava com uma ideia para registrar aqui. Pedi à IA algumas informações e fui surpreendido com o resultado. Tive que mexer um pouco no que ia escrever. Mas o resultado final é o mesmo. Perguntei quando “A Voz do Brasil” tinha acabado. Os leitores mais novos não vão saber do que se trata, mas a própria resposta da IA já esclarece minha dúvida e traz esse pessoal mais novo para a mesma página. “A Voz do Brasil” não acabou. É o mais antigo dos programas radiofônicos do Brasil. Foi criado em 1935. É um programa oficial para divulgação de notícias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Sua transmissão é obrigatória, no horário das 19h às 20h. Aí está a explicação para minha dúvida. Faz pelo menos 30 anos que não ouço rádio nesse horário. Sinal dos tempos…Bem, nesse programa havia um momento diário em que a Marinha do Brasil divulgava o “Aviso aos Navegantes”. Descobri também que esse aviso agora é quinzenal. Afinal, para que servem os satélites? As informações eram do tipo: “boia na localização XX, apagada”, “farol no Cabo YY, intervalo alterado para 15 segundos”. E os capitães dos navios usavam essas informações para navegar com segurança. Mas, às vezes, o locutor dizia: “Aviso aos Navegantes: hoje não há aviso”. Achava isso muito esquisito. Só fui entender o porquê desse aviso ao comentar com um diretor da empresa onde comecei a trabalhar. Esse tipo de aviso era necessário para os capitães não pensassem que haviam esquecido ou que eles não tinham ouvido. Interessante constatar que, às vezes, o óbvio não é tão ululante. Tudo isso para dizer que quando eu não conseguir anotar alguma coisa num determinado dia, escreverei “HOJE NÃO TEM TEXTO NOVO”.
QUERIDO DIÁRIO – dia 3
(obrigado à IA pela ajuda)
Na Idade Média a expectativa de vida humana era entre 40 e 50 anos, mas são dados imprecisos. No Brasil, a expectativa de vida atual é de 76,6 anos. Passou de 36,5 anos em 1930 para 69,9 anos em 2000. Essa tendência de crescimento tem caráter mundial. Ou seja, o ser humano continua na busca da eterna juventude e do elixir da imortalidade. Por isso a expectativa de vida tem aumentado ao longo dos séculos. Não é porque achamos a Fonte da Juventude. É porque tem havido grande desenvolvimento da medicina, dos cuidados com a saúde, das diversas tecnologias de prevenção de doenças (como as vacinas, que eliminaram algumas doenças e controlaram outras, como na recente pandemia de COVID-19). Mas (sempre tem um “mas”…) agora nos deparamos com uma das consequências desse avanço. Quem atinge a idade de 60 anos tem pelo menos mais uns 20 anos de vida. Que vida? Vale a pena viver mais, se sentindo um peso para a família? Ou isolado? Ou numa cama? Ou se sentindo inútil? Por isso, alguns estudiosos estão chegando à conclusão que não basta envelhecer. Tem que envelhecer com Qualidade de Vida. Qualidade de Vida depende de inúmeros fatores. Alguns precisam ser equacionados imediatamente, pois seu efeito demora a se fazer sentir. Na visão de quem já está estudando o assunto (e estas questões não são privilégio do Brasil) é urgente reformular a Previdência Social e o Sistema de Atenção à Saúde. Para isso é imprescindível a mobilização da Sociedade como um todo. Com certeza voltarei ao assunto diversas vezes.
