A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

Charles Darwin formulou essa teoria bem conhecida. De uma forma extremamente simplificada ela diz que os seres vivos competem pela sobrevivência. E vence o que for mais forte. Para escrever este post fui pesquisar no Google. Fiquei impressionado com a profundidade da teoria e da sua interpretação em quase todos os campos do conhecimento e do debate acadêmico. Mas o que eu queria era saber sobre o negacionismo. Mais uma vez vou ser superficial, pois não me sinto preparado para analisar o assunto em sua profundidade.

Basicamente, o negacionismo significa negar a validade de um determinado conhecimento para validar uma tese contrária. No caso da teoria de Darwin, no que se refere à vacina em geral, a informação é simplesmente chocante! E esse chamado negacionismo vacinal é ou foi incentivado por um descendente de Darwin. Segundo esse movimento, que já existe há décadas na Europa, a aplicação de vacinas contraria a lei da evolução das espécies. Porque a vacina faz com que nem sempre o mais forte vença. Ou seja, a vacina protege os mais fracos das doenças que os matariam!!! É uma teoria terrível, que deseja a morte dos mais fracos para a melhoria da raça humana. Esse movimento tem influenciado a diminuição da vacinação, acarretando a volta ou recrudescimento de algumas doenças, muitas fatais ou incapacitantes. Nada mais nazista, né?

Então vejamos o que está acontecendo nos nossos dias com a vacina contra a COVID-19. Vamos deixar à parte as questões políticas e nos concentrar nos “negacionistas de carteirinha”. Eles estão atuando através de fake news e outros recursos alarmistas, que estão deixando todos em dúvida sobre a qual a melhor vacina ou qual a melhor origem das vacinas. Um enorme número de pessoas está em dúvida se devem ou não ser vacinadas. É isso que os negacionistas querem e, se deixarmos, vão conseguir fazer com que não nos protejamos adequadamente. Levam o debate paro campo da  discussão sem nenhuma base científica. E disseminam o medo.

Qual o antídoto? Não acreditar em tudo que está na Internet sobre o assunto. Tem que acreditar nos cientistas, muito competentes. Afinal, há mais de um século temos recebido vacinas que salvaram talvez bilhões de vidas. Sempre tomamos vacinas, levamos nossos filhos e netos para cumprir o calendário de vacinação. Nunca nos perguntamos se as vacinas vinham da China, da Índia, da Alemanha, do Japão. (Aliás, a Índia e a China são os maiores produtores mundiais de insumos para vacina). Nunca analisamos os resultados das pesquisas clínicas, seja para vacinas, seja para qualquer remédio.

 Então, EU me recuso a assumir o papel do mais fraco que vai sucumbir a uma doença por falta de vacina!!!!

Escrito em 18/01/2021

O CIRCO MAMBEMBE

EXPLICAÇÃO: hoje eu deveria falar sobre a vacina, né? Mas foi tanto tempo acompanhando o assunto que me faltou inspiração para o blog. Prometo que amanhã vou abordar o tema vacina. Então estou republicando um dos poucos textos que me sobraram do antigo blog. Foi escrito em maio de 2016 e eu estava começando a criar a personagem – Joca – que eu pretendia usar em certos textos. Então ai vai Joca falando sobre O CIRCO MAMBEMBE.

Pois é, ontem foi Dia dos Pais e é inevitável que as lembranças do meu flutuem novamente nos meus sonhos de olhos abertos. Enquanto eu assistia a um jogo de futebol (Futebol??? Isso??) pelo Campeonato Brasileiro eu lembrava dos tantos jogos que eu vi ao lado dele. Neste domingo me veio à mente a história do circo mambembe. Tínhamos acabo de ver um jogo da UEFA e estávamos olhando uma partida do Brasileirão (quando ainda havia bons jogos). E ele começou:

– Joca, você já ouviu falar de circo mambembe?

– Pai, já ouvi a expressão mambembe, mas não tenho certeza se sei o que significa.

– Circo mambembe era um tipo de circo bastante comum nas cidades do interior e nos arrabaldes das cidades maiores. Tinham pouca estrutura. Uma lona pequena, arquibancas de madeira, alguns trailers onde moravam os artistas (troupe), algumas jaulas onde se guardavam animais injustamente anunciados como “feras”. O circo era transportado de maneira mais ou menos fácil e rápida, em função do sucesso ou insucesso em cada praça. O que manteve os circos ao longo dos séculos foi a habilidade e a genialidade dos seus artistas. Malabaristas, domadores, equilibristas, contorcionistas, mágicos, palhaços e outros. Cada um na sua especialidade, embora muitos exercessem mais de um papel. Era um mundo ao mesmo tempo duro e fantástico, alternando entre sonhos e desilusões. Alegrou tardes e noites de muita gente, como eu mesmo, que adorava ir ao circo.

Depois de um longo suspiro, meu encerrou:

– Pena que tudo isso acabou… você nem chegou a ver um circo mambembe…

Claro, logo perguntei:

– Que aconteceu, pai? Por que o circo sumiu?

– Não, Joca, o circo não sumiu. Ele se transformou. O que sumiu foram os circos mambembes, com suas troupes que trabalhavam por amor, quase em troca de casa e comida, em nome de tradições familiares. Hoje o circo se apresenta como um espetáculo plástico maravilhoso, amparado por produções milionárias, com estrutura profissional incomparável, empresas estruturadas, com orçamentos a cumprir e metas a serem atingidas. É a era do Cirque du Soleil. Os artistas trabalham com as mesmas técnicas milenares: mágicos, palhaços, trapezistas, etc. Hoje, no circo, talento ainda é fundamental, mas não basta. Os artistas precisam se reinventar, achar novas formas de usar seus talentos, treinar com afinco. São profissionais muito bem remunerados, em troca do espetáculo maravilhoso que entregam a um público muito exigente, todas as noites.

– Pai, acho que estou entendendo por que você me contou isso agora.

– Sim, Joca, você é bem esperto. O que acabamos de ver, a UEFA, é o Cirque du Soleil do futebol. Esse jogo medíocre que estamos vendo pelo Brasileirão, infelizmente, é o futebol brasileiro se tornando um circo mambembe…

Hoje, pensando na última Copa do Mundo no Brasil, e olhando a pobreza dos jogos que tenho assistido, fico pensando como meu pai era sábio e visionário em suas análises…

É DE PERDER O FÔLEGO…

Esse título, normalmente, é uma expressão usada para indicar que estamos deleitados ou surpresos com alguma coisa.

Só que hoje assume um significado triste. Relutei muito para fazer este texto. Afinal, a ideia do blog é escrever textos com os quais me distraia e possam distrair que os leem. Mas hoje não vai ser assim. Vai ser um texto triste, cheio de amargura e revolta. Tudo por causa dos sentimentos que me inspiram a situação de Manaus.

Ontem, durante um noticiário da TV, quando os acontecimentos de Manaus já estavam me causando aflição – que eu julgava só minha – fui surpreendido com o choro, ao vivo, de uma jornalista muito experiente ao começar a comentar sobre a situação na capital do Amazonas. E essa justa emoção dela mexeu comigo também. Eu posso avaliar com bastante clareza o que as famílias estão passando.

Eu nunca tinha estado com uma pessoa nos seus últimos momentos, até acontecer com a Viviane. Embora eu estivesse prevenido pelos médicos, foi muito difícil. Ao chegar ao hospital encontrei a Viviane com muita dificuldade para respirar. E ela estava sedada e ligada ao oxigênio. E logo se foi, em paz. Esse quadro me veio claramente à cabeça e acompanhei a jornalista. Sou capaz de avaliar o sofrimento dos infectados e suas famílias. A pessoa não está sedada e não pode respirar. Deve ser uma aflição infinita. É o que imagino que também deva ser a agonia de uma pessoa se afogando. Foi nessa hora que tive a ideia de escrever este texto. E com o passar das horas fui sedimentando uma sensação de revolta, até a hora do panelaço de ontem à noite. Fui para a janela e bati minha panela.

Então resolvi retomar uma atitude ativista que havia abandonado há anos. Não vou para rua, não vou encaminhar fake news, não vou apoiar este ou aquele político. Vou deixar de me manter neutro enquanto as coisas acontecem colocando nossa sociedade em risco. Nem direita, nem esquerda, nem centro. Nem socialismo nem liberalismo (embora a maioria dos meus amigos saiba minha inclinação).

Estou preparado para debater, ouvir críticas desapaixonadas. Mas não estou preparado, definitivamente, para ficar inerte.

Escrito em 16/01/2021

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OVO FRITO

Chegou a hora de revelar um dos meus presentes de aniversário. Era um sonho de consumo muito antigo. Foi um presente da família Lenzi de Toledo: Edgar, Luciana, Sophia e Pietro. Uma frigideira antiaderente. Primeiro quero agradecer aos que me deram essa joia da cozinha. Depois devo agradecer aos astronautas. Astronautas?! Sim, várias coisas que hoje fazem parte de nosso dia-a-dia foram desenvolvidas devido à antiga corrida espacial. Por exemplo, a miniaturização de tantas coisas: computadores, baterias, etc. E, voilà!, os materiais antiaderentes. Aliás, uma das coisas que a competição faz é desenvolver novos produtos. Em nossos dias vemos isso com as vacinas contra a COVID-19. A competição entre laboratórios e governos fez com fossem superados todos os recordes de investimentos e velocidade na produção. A população do mundo vai se beneficiar disso e daqui a alguns anos nem lembraremos de questionar de onde essa vacina vem ou onde foi produzida.

Mas o que tem isso a ver com ovo frito? Nada e tudo. Essa frigideira está me possibilitando fazer um ovo frito como eu gosto e nunca conseguia. Primeiro, as instruções de uso dizem para usar a frigideira com fogo baixo. E eu sempre fiz no fogo médio… Depois, fiquei na dúvida se devia por um pouco de óleo ou não. Optei por não pôr. Quebrei um ovo e fiquei na expectativa. A clara se espalhou pela frigideira e a gema ficou no meio. Aos poucos a clara foi ficando branca, e a gema continuava no seu amarelo ouro. Quando a clara ficou totalmente branca, usei uma espátula de bambu para cutucar as bordas para ver se se desprendia. E se desprendeu!! Agitei um pouco a frigideira, segurando pelo cabo. E o ovo se mexia como se estivesse boiando num mar de óleo. Então “derramei” o ovo sobre feijão com arroz e salpiquei um pouco de sal sobre a gema bem mole. Molhei o pão nessa gema e comi. Ao molhar, um pouco da gema escorreu sobre o arroz, que era o que esperava. Comi o tempo todo com água na boca. E o melhor de tudo é não ter comido fritura e a frigideira quase nem precisava ser lavada. Vou curtir muito ainda frigideira, fazendo ovo mexido, omeletes e outras coisas que me forem sugeridas.

Escrito em 15/01/2021

74 ANOS ISOLADO

Desculpe se te assustei, mas foi de propósito… Não, eu não vivi isolado durante 74 anos. Ainda bem, né? O que eu quero dizer é que completei 74 anos durante o período de isolamento social devido à pandemia. Sim, fiquei isolado durante três quartos do dia. Mas aprendi que ficar isolado não é a mesma coisa que estar sozinho. Bendita Internet e benditas séries na TV, que já foram por mim execradas por as pessoas se dedicavam mais ao celular e à TV do que às pessoas que estavam ao seu lado ou à sua frente. Foi justamente a Internet que me mostrou que isolamento é uma coisa, solidão é outra.

Graças aos meus contatos nas redes sociais, passei umas boas horas lendo e respondendo a dezenas de mensagens de cumprimentos. Recebendo ligações, pelo whatsapp e pelo celular. Senti-me muito abraçado e beijado e recebendo votos muito positivos para meu novo ano. E entre uma mensagem e outra assistia a série que estou acompanhando agora (Outlander).

Assim o dia foi passando sem que eu me desse conta da sucessão das horas. E então fui comemorar num jantar com os filhos, netos e nora. Já não os via desde 16 de dezembro, quando viajaram para comemorar o aniversário da Sophia e as festas de fim de ano. Para não negar o sangue italiano, fomos a uma cantina vizinha à casa do Edgar. E, acredite, a cantina se chama Vecchio Capeleti e Capeleti não se refere à massa e sim ao sobrenome do dono… Ele me convenceu a pedir fuzile com ragu de músculo e funghi seco. Uma delícia! Fez-me lembrar da minha avó Carmen, que fazia fuzile em casa, enrolando a massa em arames. Somado a um fantástico vinho tinto, aos presentes e, sobretudo à convivência com a família, foi uma noite perfeita! Sobre os presentes, além de uma escultura para minha coleção de imagens de São Francisco, ganhei outra coisa que não vou contar agora porque será tema do meu próximo post.

Grato pela atenção e companhia virtual no meu dia aniversário.

Escrito em 14/01/2021

O QUE TEMOS PELA FRENTE

Primeiro, confortavelmente sentados em frente à TV, vimos a cidade de Wuhan entrar por um túnel infestado de um vírus desconhecido. Aos poucos outras cidades e outros países foram entrando pelo mesmo túnel, de um vírus que já tinha nome. O novo coronavirus. Depois o túnel foi chamado de pandemia. E causava uma doença estranha: COVID-19. Acabamos entrando também nesse mesmo túnel, junto com toda a população da Terra.

No início era tudo escuro. Não tínhamos a menor ideia do que havia nesse túnel. Os olhos demoraram a se acostumar com a escuridão. Com auxílio da ciência começamos a perceber cada vez mais o que havia ali dentro. Não eram visões agradáveis. Isolamento social, necessidade de usar máscara, não apertar mãos, não dar abraços, usar álcool em gel, só sair de casa quando extremamente necessário. Imagens de hospitais cheios, UTI´s lotadas, cemitérios com centenas de covas aguardando as vítimas. São imagens desse túnel que nos marcarão para sempre.

De repente começamos a perceber uma luz no fim do túnel: eram as vacinas chegando. Mas as informações do dia-a-dia nos colocam diante de uma dura realidade. O túnel é muito mais longo do que imaginávamos. Depois de vacinados teremos que esperar um longo tempo antes de retomar a vida parecida com a que tínhamos antes de entrar no túnel. Até pelo menos por mais uns 10 meses teremos que continuar usando máscara, socialmente isolados, evitando sair de casa, usando álcool em gel, etc. E também pode ser que esse túnel seja como os da Rodovia dos Imigrantes: acaba um e já começa outro. É realmente aflitivo.

Mas a luz no fim do túnel é real, não uma miragem. Já chegamos até aqui e não vamos nos deixar morrer na praia. A perspectiva de melhora é animadora. Enche-nos de coragem. Dá-nos força para nossas necessidades e nos sobra para repartir com nosso próximo, esteja longe ou perto. Está no vizinho, na família, nos contatos nas redes sociais, na Netflix, no Youtube, nos livros, na cozinha, nos trabalhos manuais e tantas outras alternativas que no ajudarão a ficar em pé para caminhar quando o túnel acabar. Porque VAI ACABAR!!

Escrito em 12/01/2021

QUEM NÃO SE COMUNICA…

Aqui estou para fazer um das coisas que mais gosto: contar causos reais da minha vida. Como diria aquele personagem do Chico Anísio, “sucedeu comigo”.

Quando resolvi voltar a escrever tinha por objetivo só espairecer do isolamento social. Depois resolvi compartilhar as ideias com um pequeno rol dos meus contatos nas redes sociais. Foi aí que minha sobrinha primogênita Tania me falou, pelo whatsapp, que deveria assinar os textos porque se alguém decidisse encaminhar as pessoas não saberiam o autor. Eu argumentei que não tinha intenção de ter tanta divulgação. Enfim, depois de várias mensagens, escritas e de áudio, resolvi montar um blog. Fiquei dois dias dando cabeçadas na tecnologia mas cheguei a este resultado que está na frente dos seus olhos.

Mas, ao que remete o título deste post? Refiro-me à minha primeira lição sobre a importância da comunicação. Sucedeu o seguinte comigo:

No meu primeiro emprego, na Armco, depois de um tempo eu era responsável, entre outras coisas, pelo sistema telefônico. A Central Telefônica tinha o mesmo papel que a Internet hoje. Sem ela a comunicação com o mundo era praticamente impossível. Num determinado dia a central parou. Os técnicos ficaram horas tentando achar o problema e não conseguiram. Chegou a hora do almoço e nada! Fui para o restaurante da fábrica cansado e desanimado. Dali a pouco chegou um vendedor, vindo da rua. Perguntou que cara era aquela que estava. Contei o problema e ele me contou o dele: “demorei a chegar porque um caminhão da TELESP (!!) está interditando metade da Rua Ibitirama (era o acesso à fábrica) para uma obra. Uma luz se acendeu dentro do meu cérebro. Larguei o almoço e fui ver o que estava acontecendo. Resumo da história: eles estavam religando cabos que haviam se rompido com a chuva da madrugada. O sistema só seria restabelecido dentro de duas horas. Voltei para a fábrica, avisei aos técnicos que não havia nada a fazer e fui tranquilamente terminar meu almoço. Ou seja, se eu e o meu amigo vendedor tivéssemos ficado cada um na sua teríamos gasto um tempão à toa.

Assim aprendi que o Chacrinha tinha razão: “quem não se comunica se trumbica”. Com certeza vou lembrar outras ocasiões e, se achar interessante, conto aqui.

Escrito em 11/01/2021

SENSAÇÕES PANDÊMICAS

Depois de tanto tempo sem escrever um texto mais elaborado resolvi voltar ao teclado como uma forma de escapar à monotonia e sensação depressiva causada pela pandemia do coronavirus.

Como todos recomendam, tenho procurado criar uma rotina para o dia-a-dia. Leio, já fiz pão duas vezes, lavo e passo minha roupa, vejo séries na televisão, evito as noticias desagradáveis e mono tonais sobre a COVID-19, interajo com família e amigos nas redes sociais. Mas já não é mais suficiente. Ainda está sobrando muito tempo. Esse tempo de sobra me dá aflição, com a perspectiva de que o isolamento social pode se prolongar até o fim do ano. Por isso resolvi somar o teclado na minha rotina diária. Não sei se será realmente diária, mas será mais constante.

Comecei com uma decepção. Há alguns anos eu tinha um blog chamado “Papo na Varanda” e publiquei vários textos, vários dos quais eu gostava muito. Fui buscar esses textos e, oh! que frustração! Recebi uma mensagem da UOL dizendo: ”parece que seu arquivo foi para o espaço…”. Corri pelos arquivos do computador e só achei uns poucos. A maioria eu escrevi direto no blog e se perderam. Aos poucos vou publicar o que restou. Mas, se você que me lê tiver sido leitor daquele blog, e, por razões transcendentais, tiver guardado um daqueles textos, peço a caridade de me enviar.

Para o primeiro dia, acho que está bom. Só para marcar meu retorno. Por enquanto sem blog e com arquivo salvo no computador (alguma lição a gente tem que tirar dos erros…). Prometo que o próximo texto será mais interessante.

 Escrito em 08/01/2021

TODOS OS DIAS SÃO IGUAIS

Como assim, todos os dias são iguais?? Essa pergunta pode ser respondida no formato atual: “São, só que não…”. Ou no formato antigo: “Depende”. Vou pelo “Depende”. Depende com que olhos você olha o dia.

Do ponto de vista astronômico, todos os dia são iguais. Começam às zero horas e terminam às 24 horas. Têm madrugada, manhã, tarde e noite. Tem Sol de dia, Lua e estrelas à noite. Mesmo assim, cada dia começa com o Sol e a Lua em posições e tempos diferentes.

Do ponto de vista meteorológico, os dias são mais variáveis. Chove, faz sol, faz calor, faz frio, venta, etc.

Mas existe uma forma de ver o dia do ponto de vista social. Você já deve estar pensando que é por esse caminho que vou. Acertou!!

Nessa pandemia passamos a ver os dias e nossa vida neles com uma nova perspectiva. Permita-me uma analogia. Com certeza você já machucou alguma parte do seu corpo. Digamos o dedão da mão esquerda; e cada vez que você usa o dedão, dói. Você pensa: “só porque está machucado eu uso toda hora”. Engana-se você sempre usou o dedão da mesma forma, mas nunca prestou atenção nisso. Pobre dedão…

Quantas coisas nos dias de hoje são como nosso dedão. Sempre estavam aqui e nós nunca demos valor. Vou fazer uma lista pessoal e parcial de tudo que estou descobrindo nesse isolamento social. Cada um faça a sua e pense sobre ela.

Olho pela janela da sala e vejo a massa de cimento de um edifício. Mas entre a janela e esse edifício, tem uma enorme copa de uma árvore. Com infinitos tons de verde que me surpreendem cada vez quer fico olhando. E um sem número de pássaros voam por essa copa e cantem de manhã e à noite.

Uma sirene toca na entrada do elevado, ou na saída para a av. Pacaembu. Antes eu pensaria: “que som desagradável”. Agora penso, será que ai dentro vai uma vitima da COVID sendo levada para o HC? Ou estarão indo buscar uma vítima de violência doméstica? Mas se a sirene é da polícia e fico torcendo para que não estejam indo atrás de algum roubo, assalto ou assassinato.

Dentro de casa me entretenho com as redes sociais, logo eu que já fui muito crítico do tempo que as pessoas ficavam no celular. Que bom ter família, amigos ou simples contatos que estão sempre preenchendo meu tempo com novas e interessantes mensagens. E que bom ter uma vizinha que acabou de me trazer um prato de bolo de banana (adoro!).

Enfim, se me sentar algumas horas todo dia poderia escrever mais e mais, com o risco de me tornar chato. Por isso vou parando por aqui, mas continuarei prestando atenção ao que me acontece sem que eu me desse conta. Preste atenção ao seu dedão e faça sua lista. Se quiser, pode compartilhar.

Escrito em 09/01/2021