(mais uma vez sem inspiração, publico texto de 2014)
Sempre que vou andar no Parque da Água Branca, em São Paulo, passo várias vezes por esta banquinha. Meu primeiro pensamento é experimentar uma dessas delícias. Quase sempre resisto. Mas, como era domingo, deixei minha imaginação ir muito além desse desejo imediato. Comecei a imaginar que doces como o quebra-queixo vão, pouco a pouco, abandonando nosso dia-a-dia e se tornando parte da história. Virando doces lembranças de vidas (primeira foto) menos complicadas. Doces lembranças… Talvez o quebra-queixo seja um dos últimos doces antigos que a geração dos meus filhos ainda conheça. Para quem já não sabe mais do que se trata, aqui vai uma foto (segunda foto)


dessa cocada super apurada e consistente, que pode quebrar o queixo de quem a mastigar com muita ganância. Para os mais velhos o perigo é mais para as pontes, pivôs, coroas e dentaduras…
São doces de outra época. Lembro do machadinho, um bloco de uma massa em ponto de bala num tabuleiro, que exigia uma machadinha ou talhadeira para arrancar lascas que eram chupadas lentamente. Eram doces de uma época em que doceria era tida como uma palavra errada e doceira era uma mulher que fazia doces quase artesanais. Quase todas as nossas mães eram doceiras e faziam delícias como ambrosia, baba de moça, espera marido, babá ao rum, curau e tantas outras que já nem me lembro. Para os aniversários era produzidos bombocados, queijadinhas, quindim, cajuzinhos de amendoim, beijinhos (com a indefectível folhinha de buxo como enfeite), canudinhos de doce de leite e de cocada, olho de sogra e tijolinhos de doce de leite.E mais, os doces de batata e abóbora que eram pingados ficavam secando por dias em grande tabuleiros.
O auge desses doces, para mim, era o pizen, feito pela minha Vó Cecília. Era um suspiro gigante recheado com doce de ovos. Este é o ícone dos doces que só continuam existindo em nossas lembranças. Os doces de nossas avós – alguns – ainda são feitos por algumas avós de hoje. Mas parecem condenados a sumir dos nossos olhos. Símbolos de um doce tempo que, assim como as doces vovós, não voltarão mais.
Escrito em 22/05/2014
